mistério

Pode-se designar por mistério tudo aquilo sobre o que o ser humano não tem conhecimento perfeito, ou seja, tudo o que é incompreensível para o Homem.
Originariamente, um mistério era uma realidade oculta e do qual não se podia falar. No helenismo antigo, falava-se em mistérios para caracterizar o culto e ritos religiosos de iniciação como, por exemplo: os mistérios de Dionísio, os mistérios de Adónis, etc.
Mais tarde, mistério passou a designar toda a realidade, quer fosse religiosa ou não, de conhecimento quase impossível para qualquer ser humano. Com Platão, os mistérios já não são ritos sagrados, mas sim relacionados com ideias ou doutrinas cuja verdade, apesar de desconhecida, era passível de ser descoberta e compreendida assim se quisesse e se empreendesse alguns esforços exigidos. Assim, o mistério é entendido como sabedoria ou doutrina de união da alma com o divino.
De uma origem ritual, o mistério vai assumindo um carácter ontológico, não já o que não se pode falar, mas aquilo que pela sua própria natureza é inexplicável.
Para a religião cristã, trata-se de mistério quando se fala de acontecimentos fundamentais da vida de Jesus, tais como o seu nascimento e morte.
Assim, mistério passou a ser entendido como todas as grandes verdades da religião cristã. Esta conotação teve origem em S. Paulo, que a recolheu da Bíblia, mais propriamente dos Livros da Sabedoria e do Apocalipse. O mistério de S. Paulo é o segredo da sabedoria de Deus, o mistério da vontade divina, o seu desígnio de salvação humana, que Deus revela ao Homem: "Eis o mistério da fé".
De um ponto de vista estritamente filosófico, G. Marcel separa de uma forma antagónica "problema" e "mistério", sendo que o problema é de natureza impessoal e imparcial e o mistério é pessoal e subjetivo, já que o indivíduo nele se encontra comprometido e somente poderá rejeitá-lo ou aceitá-lo.
Para concluir, o mistério é algo inerente ao ser humano na sua condição espiritual, podendo ser ele próprio considerado um mistério e orientado para o mistério, na sua própria finitude.

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