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mitologia da África ocidental
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São muitos e diversificados os povos da África ocidental, coexistindo vários grupos étnicos dentro das fronteiras dos estados que se foram delimitando. Cada um destes grupos possui a sua forma de ver o mundo através de uma mitologia própria, podendo aspetos de uma existir em outras.

Acontece também que algumas regiões da África ocidental receberam influências mais acentuadas do Cristianismo, a partir do início das Descobertas portuguesas, bem como muçulmanas. Estas influências contribuíram bastante para a alteração de determinados aspetos das crenças indígenas, nomeadamente de características dos seus deuses. Ponto comum em quase todas as tribos é a criação de objetos a que também se chama feitiços para representar os seres divinos.

Estes feitiços têm como acréscimo a faculdade de exercer os poderes dos deuses que representam, sendo obrigatório realizar as cerimónias (por vezes com sacrifícios, alguns dos quais humanos) que agradam às divindades e convocam a sua proteção. Estes seres divinos podiam ser entidades abstratas ou ligadas aos elementos da Natureza (vento, água, árvores, rochas...) e animais. No Congo, por exemplo, os Mundangas creem que homens e animais são detentores de alma, e que quando morrem esta transita para um buraco de onde passa para uma fêmea viva, de forma a originar outra vida. Os deuses deste grupo, apenas em número de três, são Fèbêlé, Mèbêli e Massim-Biambé.

Um traço comum entre os povos da África ocidental (como os Dogon, os Malinke e os Bambara, por exemplo) é a importância conferida aos gémeos, representativos de um início em que todos os seres vivos eram pares de gémeos de sexo oposto, vivendo-se num mundo equilibrado, fecundo e harmonioso. A gemelidade é tão importante que se atribui a raridade da geração de gémeos ao mau comportamento de um antepassado do Homem, Ogo/Edshu/Pemba. Costumes dos Bozo, dos Malinke, dos Dogon e Bambara, ainda ligados à reprodução do conceito da idoneidade dos gémeos, é o do casamento, em que se aconselha que dois homens casem com as irmãs um do outro (se estas pertencerem a um par de gémeos melhor) ou que um homem case com a filha do tio materno.
Estes povos creem que cada ser humano é constituído por um par de gémeos, que para ser perfeito necessita de perder o elemento masculino nas mulheres (ablação do clítoris) e o feminino no homem (circuncisão); assim, cada um dos sexos fica definido.

As máscaras usadas em determinadas cerimónias entre os povos da África ocidental possuem significados que se ligam aos rituais de iniciação e aos ritos agrários e funerários. Geralmente usam-se para ilustrar os processos mitológicos que levaram à constituição dos cosmos tal como cada um destes povos o percebe. Entre povos como os Marka, os Bozo e os Bambara, em cerimónias realizadas anualmente, utilizam-se as máscaras para recordar aos homens o valores primitivos, puros, visto que a passagem do tempo e evolução social os pode colocar em perigo de esquecimento.

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Como referenciar
mitologia da África ocidental na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$mitologia-da-africa-ocidental [visualizado em 2026-06-08 11:18:46].

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