mitologia pré-colombiana

Das civilizações pré-colombianas ou das que existiam na América antes das invasões espanholas as mais relevantes são a Asteca, a Maia (no México) e a Inca (no Peru). Eram civilizações que adoravam vários deuses (politeístas), absorvendo também os dos povos que conquistavam, aos quais faziam ofertas principalmente de sacrifícios humanos para conquistar os seus favores.
Antes da chegada dos Incas e da imposição do culto do Sol e da Lua, as civilizações que existiam praticavam o culto ao totem.
Os Astecas tinham uma imensidão confusa de deuses, principalmente devido ao facto já apontado das combinações culturais. Acreditavam que os deuses tinham feito cinco tentativas (também chamadas "sóis", pois sem sol a humanidade não sobrevivia) até conseguirem criar o mundo: a primeira foi quando o filho de Omecihuatl e de Ometecuhtli, o Negro Tezcatlipoca, se transformou em sol (o Sol Jaguar) e iluminou a terra que era habitada por gigantes. Mas Quetzalcoátl (deus representado por uma serpente emplumada, protetor dos homens e inimigo de Tezcatlipoca) expulsou do céu o senhor do Universo, Tezcatlipoca, com ciúmes. Este transformou-se em jaguar e comeu a terra. A segunda tentativa (a do Sol Ventoso) deu-se com a criação de pessoas, por Quetzalcoátl, que foram varridas pelo vendaval com que Tezcatlipoca arrasou a terra. Os que resistiram transformaram-se em macacos. Na terceira tentativa foi Quetzalcoátl que inundou a terra depois de Tlatoc, o deus da chuva, se ter transformado em sol. Os que sobreviveram ao incêndio da terra transformaram-se em perus. Também a quarta criação (Sol da Água), feita pela deusa da água, Chalchiuhticlue, quando se tornou sol, acabou com uma inundação, os sobreviventes tornaram-se peixes. Finalmente na quinta criação (a do Sol do Terramoto) um humilde deus, Nanahuatzin, ofereceu-se para se sacrificar e se tornar em sol; no entanto o sol não se movia, tendo sido necessário que os outros deuses se sacrificassem também. Quetzalcoátl encarregou-se então de criar a humanidade a partir dos ossos dos antepassados que foi buscar às profundezas (a Terra dos Mortos). Mas ao fugir do Senhor da Terra dos Mortos escorregou e partiu os ossos, que borrifou com o seu sangue para ganharem vida. Nasceram então os homens e as mulheres, de diferentes tamanhos porque os fragmentos também se tinham partido em partes desiguais.
Este povo acreditava que havia nove níveis de submundo e treze de céu, e que o que se tinha feito na terra influenciava o destino depois da morte. Os deuses criadores Omecihuatl e Ometecuhtli (que na verdade era só um com uma parte feminina e outra masculina, por isso chamados de deuses da Dualidade) moravam nos níveis número doze e treze, sendo para lá que iam os homens que reencarnariam depois da destruição da Humanidade e os bebés que morriam.
Os pontos cardeais eram de suprema importância para os Astecas, como se pode verificar no facto de a Norte morar o deus Tezcatlipoca, a Este Tonatiuh, a Oeste Quetzalcoátl e a Sul Huitzilopochtli, e de haver quatro paraísos: um deles situava-se a Este e chamava-se a "casa do sol". Para lá iam as pessoas sacrificadas (que eram consideradas mensageiras enviadas aos deuses e não vítimas) e os guerreiros (inclusive os inimigos, que tinham um deus dos mortos só para eles). As almas ficavam neste paraíso durante quatro anos e depois voltavam sob a forma de pássaros exóticos. O segundo era aquele para onde iam as mulheres que morriam de parto e situava-se a Oeste. Elas também voltavam transformadas em maus augúrios. O paraíso a Sul era o de Tlaloc, sempre cheio de comida e era para lá que iam os que tinham morrido de lepra ou outras doenças. A Norte ficava o de Mictlan, para onde iam o resto dos mortos quando conseguiam ultrapassar nove provas, que duravam quatro anos. Os deuses deste paraíso eram Mictlantecuhtli e Mictecacihuatl.
O mais antigo dos deuses era Huehueteotl ("velho velho deus") e representava a contínua renovação da vida, simbolizada pelo fogo.
As cerimónias e sacrifícios humanos dedicados aos deuses tinham como objetivo evitar desastres e assegurar a fertilidade e a saúde, pois estes povos dependiam da agricultura.
Os mitos eram essencialmente transmitidos oralmente, mas quando chegaram os missionários começaram a ser compilados por eles, ajudados por relatos de membros da nobreza asteca que aprenderam espanhol.
O mito da criação dos Maias era diferente: o deus Coração da Terra e do Céu sentou-se a pensar, e os seus pensamentos tornaram-se realidade. Pensou na terra, montanhas, animais, plantas... Fez depois em barro seres mais perfeitos para o adorarem mas, descontente, desfê-los com chuva, e também destruiu os que fez em madeira porque não tinham alma. Os que escaparam tornaram-se macacos. Decidiu então chamar outros deuses para o ajudarem. Foram feitos quatro homens sábios do melhor milho, mas eram demasiado sábios. O deus soprou-lhes um véu para os olhos que lhes permitisse somente ver o que estava diante deles e adormeceu-os. Criou então quatro mulheres e quando os homens acordaram viram todos juntos o primeiro nascer do sol que permitiria à Humanidade o seu desenvolvimento.
Estes relatos aparecem com diversas variações e interpretações.

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