modelo de Cournot

O estudo económico dos mercados implica a tomada em consideração da forma como se encontram estruturados em termos de composição da oferta e da procura que neles intervêm. Neste contexto, e concretamente no que concerne ao lado da oferta, existem várias formas de estrutura de mercado possíveis, sendo as possibilidades-limite as de concorrência perfeita (em que existe um número elevado de agentes do lado da oferta e se admite que todas ignoram as ações umas das outras) e de monopólio (em que existe apenas uma empresa que tem a seu cargo toda a produção do mercado e que, como tal, não tem de tomar em consideração o comportamento de adversários).
Na prática, no entanto, existem formas de mercado intermédias que incorporam apenas alguns elementos das soluções acima descritas. Essas formas são o oligopólio (caracterizado pela existência de um número restrito de vendedores importantes que produzem a totalidade ou a maioria do produto do setor) e a concorrência monopolística (em que existe um número elevado de vendedores que produzem produtos substitutos próximos mas imperfeitos dos das restantes e se verifica a livre entrada e saída de empresas do mercado). Dentro da forma de oligopólio há ainda a registar a possibilidade de haver apenas duas empresas vendedoras, configurando uma situação denominada de duopólio.
No estudo das situações de oligopólio (incluindo o duopólio) devem ser tidos em conta os fenómenos de interação entre as decisões estratégicas das empresas intervenientes, fator que assume preponderância nos resultados do mercado em termos de quantidades oferecidas e preços praticados. De facto, nestas situações, o facto de uma empresa ponderar a mudança de estratégia no que respeita a quantidades produzidas ou preços praticados implica que tenha de tomar em consideração as reações esperadas das suas rivais. As diferentes possibilidades relativamente a estas reações traduzem-se na existência de diferentes modelos explicativos do funcionamento de oligopólios e duopólios. Um dos principais modelos nesse âmbito é o denominado modelo de Cournot, assim denominado pelo facto de ter sido apresentado por Auguste Cournot em 1838. Este modelo, aplicado a uma situação de duopólio (embora possa ser facilmente generalizado para a de oligopólio) toma como pressuposto-base que cada empresa, numa situação de ponderação de alteração de estratégia em termos de quantidades produzidas, assume que a sua rival continuará a produzir a mesma quantidade após a sua decisão. Assim, o modelo assume que cada duopolista assume a quantidade produzida pelo outro como fixa, não reagindo às suas decisões relativas à produção. De qualquer forma, o resultado obtido pelo modelo mostra que o comportamento de cada empresa afeta decisivamente o da sua rival.
O modelo de Cournot parte da consideração da curva da procura de mercado para definir as curvas da procura de cada uma das empresas e paralelamente definir a quantidade produzida por cada empresa como função da quantidade produzida pela outra. A função que relaciona as quantidades das duas empresas denomina-se função de reação, que representa então o conjunto de soluções em termos de quantidade de produto de cada duopolista tendo em conta a quantidade oferecida pelo outro.
A sequência de ações individuais de cada duopolista desencadeada pela alteração de comportamento inicial de um deles resulta em última instância numa solução de equilíbrio alcançada no ponto em que as funções de reação de cada um se intercetam. Nesse ponto, o valor das receitas e dos lucros será idêntico para as duas empresas.
De referir que o modelo de Cournot assume como pressuposto condições simétricas entre os dois duopolistas.
A aplicabilidade do modelo de Cournot é reduzida tendo em conta designadamente a não tomada em consideração de que, na prática, uma empresa tem em conta o efeito provável das suas ações nas da rival.

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