modernização

Processo de transformação centrado na esfera económica e articulado com outras esferas, nomeadamente a política e a ideológica, que tem por objetivo desenvolver um determinado Estado, região ou até empresa, tendo em vista o incremento da produção de bens e serviços e a construção de infraestruturas diversificadas: de produção, de habitação, de comunicação, de saúde e outras. Para isso é necessário intensificar a utilização de capital, de tecnologia e de trabalho, o que irá permitir integrar a economia nacional na economia-mundo. Se, até meados do século XX, implicou a expansão do setor secundário, por via do crescimento industrial, hoje, nos países do capitalismo avançado, como os Estados Unidos da América e os Estados-Nação da União Europeia, a modernização traduz-se por uma desindustrialização em paralelo com o crescimento do comércio, dos serviços e das tecnologias e atividades ligadas à produção e utilização de informação. Neste processo estão envolvidos, por exemplo, países como Portugal e a Grécia, cujas estruturas económicas possuem um certo desfasamento em relação aos primeiros,
Embora globalizado, o conceito é claramente ocidental e, muitas vezes, surge associado a outros, como industrialização, urbanização e desenvolvimento. A origem da modernização está ligada às grandes transformações económicas e industriais iniciadas na Europa a partir do século XVIII e, mais remotamente, à expansão marítima iniciada pelos Portugueses no século XV. Centrada nos aspetos económicos, com o predomínio do modo de produção capitalista e do mercado, a modernização implica também profundas transformações nos modos de vida, nas práticas políticas, sociais, culturais e outras dos indivíduos. De referir, também, que a modernização teve uma versão não capitalista nos países do Leste Europeu. Apesar das diferenças qualitativas e das ruturas operadas face à modernização capitalista, Bahro (1979, The alternative) demonstrou que, em muitos aspetos, nomeadamente no que se refere à relação com a Natureza e com as áreas periféricas, esta versão foi semelhante à modernização capitalista.
Assumindo muitas outras expressões, como progresso, crescimento ou desenvolvimento, a modernização é sustentada pela visão evolucionista da História e das sociedades, que postula a superioridade da economia e da cultura ocidentais face a todas as outras e, por conseguinte, a mudança só tem uma única direção possível, isto é, da pobreza, da barbárie, do despotismo e da ignorância para a riqueza, a civilização, a democracia e a racionalidade.
Atualmente, o processo de modernização, entendido como integração, nomeadamente capitalista, dos Estados e das diversas regiões que compõem o planeta, conhece uma intensificação por via da globalização capitalista de matriz neoliberal. No entanto, perante os problemas provocados, na segunda metade do século XX, pelas políticas de modernização, que não conseguiram acabar com a pobreza, antes a agravaram em muitos casos, acelerando a degradação ambiental e o esgotamento de recursos energéticos e outros, o conceito está a ser questionado. Não raro, apoiados nas reflexões teóricas produzidas no quadro do (neo)marxismo, os movimentos ecologistas, pacifistas e de defesa dos povos indígenas têm empreendido, sobretudo a partir dos anos setenta, uma crítica radical a este fenómeno de largo espetro. Estes últimos surgem como vítimas de processos de modernização que não são mais do que uma integração/assimilação forçada em sociedades de tipo ocidental. Uns e outros propõem alternativas que visam superar os aspetos negativos da modernização e, muitas vezes, a própria modernização.
Como referenciar: modernização in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-22 15:29:02]. Disponível na Internet: