monetarismo

O monetarismo corresponde a uma escola de pensamento ou corrente económica que se debruça essencialmente sobre questões macroeconómicas, designadamente as que têm a ver com a oferta agregada e as condições da oferta, e que tem como objetivo o enquadramento dos fenómenos monetários no conjunto dos mecanismos económicos.
Tal como o próprio nome indica, o monetarismo tem como principal suporte a consideração de que a moeda assume um papel fundamental ao nível das flutuações macroeconómicas das economias. Os primeiros contributos para esta corrente surgiram no início do século XX por ação de alguns economistas clássicos, designadamente Alfred Marshall, que desenvolveram estudos acerca de alguns aspetos relacionados com a moeda, criando designadamente o conceito de velocidade da moeda (rotatividade anual do stock de moeda) e, consequentemente, a denominada equação quantitativa das trocas. Esta equação traduz uma identidade entre o produto do stock de moeda pela velocidade correspondente e o produto do nível geral dos preços pelo produto nacional bruto (PNB) real, ou seja, o PNB nominal. Desta forma, ficou estabelecida uma relação entre a moeda e o nível dos preços da economia, o que constitui um dos fundamentos do monetarismo.
Posteriormente, e fundamentalmente por ação de Milton Friedman e seus seguidores, o Monetarismo desenvolveu-se fortemente em termos conceptuais e de adesão, entrando em muitas situações em conflitos teóricos com a visão dominante e keynesiana da Economia. Um marco importante do Monetarismo foi a publicação em 1956 da obra de Friedman Studies in the Quantity Theory of Money (Estudos sobre a Teoria Quantitativa da Moeda), onde este autor defendeu que, a longo prazo, um maior crescimento monetário gera um aumento dos preços mas tem pouca ou nenhuma influência sobre o produto, ao mesmo tempo que, no curto prazo, os aumentos da oferta monetária provocam o aumento do emprego e da produção.
Os aspetos que caracterizam fundamentalmente o monetarismo como corrente económica são os seguintes: a oferta de moeda é considerada como a principal determinante do crescimento nominal do produto nacional bruto, pelo que as principais variáveis macroeconómicas dependem da política das autoridades a esse nível e não tanto da política fiscal; os preços e os salários são relativamente flexíveis, pressuposto que vai contra a corrente económica dominante; a economia privada é relativamente estável, pelo que se acentua mais o facto de as alterações no PNB nominal se deverem a alteração na oferta de moeda; os mercados não devem sofrer qualquer intervenção direta por parte do Estado (os monetaristas são adeptos do laissez faire); a inflação é considerada um mal profundo que é necessário combater, mesmo que o impacto no desemprego seja mais forte, o que não é provável; as autoridades monetárias devem estabelecer regras fixas relativamente à evolução da oferta monetária e não usar a política monetária para fazer face a situações conjunturais.
A conceção monetarista tem tido influência relevante em alguns governos de alguns países, como sejam os governos inglês e norte-americano no final da década de 70 - início da década de 80 do século XX.
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