Monopólio do Oriente

A Casa da Índia era, no período da expansão ultramarina portuguesa, o centro das operações comerciais e da administração do ultramar. Tinha a autoridade de controlar o tráfico de e para a Índia, tanto no desembarque dos produtos orientais como na sua distribuição. Estava igualmente incumbida de verificar as vendas efetuadas em nome da coroa. Por ela passavam também as nomeações dos funcionários do ultramar, a promulgação das regulamentações gerais e os documentos de índole particular.
Este órgão representante do Estado português, que funcionava simultaneamente como uma repartição e uma feitoria, estava dotado de um arquivo e de um departamento de contabilidade e de preços. Tinha a seu cargo o registo das cartas do ultramar, o abastecimento e apetrechamento dos navios e a preparação da defesa. Em 1520, a Casa da Índia passou a contar com um guarda-livros especial, para melhor desempenhar algumas das suas importantes atribuições. A sua estrutura simples, que até 1509 contava com um feitor, um tesoureiro e três escrivães nos quadros superiores, foi-se tornando mais complexa à medida que o volume de negócios aumentava. Nesse ano de 1509 foi promulgado um regulamento segundo o qual se aumentou o pessoal e se separavam os departamentos da Casa da Índia, um assunto de novo discutido em 1530. Continuava a haver um feitor que respondia diretamente perante o rei, mas havia agora três tesoureiros - um destinado às especiarias, outro ao dinheiro e outro ainda para tratar dos negócios da Guiné - e cinco escrivães.
Para além desta repartição havia outras de menores poderes que funcionavam para tratar dos negócios do ultramar, como a Casa dos Escravos, datada de 1468.
Esta relativa autonomia não significou que os negócios do ultramar estivessem arredados dos negócios da metrópole. Pelo contrário, a supervisão geral, tanto da África como da Índia, continuava a dizer respeito aos antigos vedores da fazenda.
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