Morangos Silvestres

Intitulado originalmente Smultronstället, este drama psicológico, dirigido por Ingmar Bergman, relata a história de Isak Borg (Victor Sjöstrom), um velho professor que viaja de automóvel para receber o seu doutoramento honoris causa na Universidade de Lund como prémio dos 50 anos dedicados à instituição. Durante o percurso, é acompanhado por Marianne (Ingrid Thulin), sua nora, que lhe confessa que o seu casamento está a passar por uma fase difícil visto estar grávida e o seu marido não aceitar bem tal facto. Mais tarde, dá boleia a três jovens, cuja jovialidade e irreverência o fazem recuar aos seus tempos de juventude, lembrando-se de uma ardente paixão por uma prima capaz de fazer com que o velho professor a encarasse como um símbolo de amor intangível ao longo da sua vida. Através dum conjunto de sonhos e de alucinações, chega à conclusão que as escolhas que fez no passado conduziram-no a uma vida triste e sombria, desprovida de valor. No entanto, ao chegar a Lund e depois dum reencontro com o filho e com os seus entes queridos, apercebe-se do amor que estes lhe devotam e reconcilia-se com a sua consciência. Este filme tornou-se um dos títulos mais célebres da filmografia de Bergman, que, através duma sucessão de flashbacks, traça o retrato psicológico dum personagem consciente da proximidade do seu fim físico e desencantado com o seu percurso. O próprio título do filme é uma feliz referência a uma das frutas geradas pelo curto verão sueco, fazendo-se uma inevitável analogia ao momento ideal da vida onde somos confrontados com as nossas escolhas e responsabilidades. Bergman não procurou dar lições de moral mas sim apresentar questões sobre as noções de falhanço e de sucesso, apelando a uma interpretação livre do espectador. Para o realizador, o passado surge como um período de ingenuidade e de inocência antes de ser corrompido pelo amadurecimento do ser humano, algo acentuado pela sóbria fotografia a preto e branco da autoria de Sven Nykvist. Todos os 92 minutos do filme estão impregnados duma extraordinária poesia estética, fruto do rigoroso trabalho de montagem de Oscar Rosander. Para interpretar o papel principal, Bergman chamou o lendário realizador Victor Sjöstrom que assinou um portentoso desempenho, repleto de sentimento e nostalgia, alcançando a redenção quando compreende que o seu percurso de vida não foi inconclusivo. Max Von Sydow, presença habitual nos filmes de Bergman, surge aqui num pequeno papel, tal como Bibi Andersson.
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