Mosteiro de Santa Clara-a-Nova

Devido à falta de condições de salubridade para se viver no velho Mosteiro de Santa Clara, iniciou-se, no reinado de D. João IV, em 1649, a edificação de novo mosteiro. Ficou então o risco entregue ao beneditino frei João Torriano, engenheiro-mor do reino. Em 1677 passaram as freiras clarissas para o novo local. A construção da renovada igreja ficou concluída em 1696, tendo-se arrastado as demais obras conventuais até finais do século XVIII.
No século seguinte executaram-se as obras do Claustro e da portaria, entregues primeiro ao mestre Domingos de Freitas e, mais tarde, continuadas por seu irmão Pedro de Freitas.
O portal que dá acesso ao pátio é composto por vários elementos trazidos do antigo mosteiro; ao centro encontra-se uma grande escultura em mármore, representando a Rainha Santa, obra da autoria de Álvaro de Bré. Aposto ao portal fica a portaria, fortemente marcada por uma galeria, da responsabilidade de Carlos Mardel em 1761 e construida por Gaspar Ferreira. Segue-se o imenso dormitório de 80 celas, com 180 metros, hoje ocupado pelo exército português.
O templo foi sagrado a 26 de junho de 1696 com invocação a Santa Isabel de Portugal. Mateus do Couto orientou as obras, respeitando, no fundamental, o risco de frei João Torriano. A 3 de julho do mesmo ano foi trasladado o corpo da Rainha Santa do velho mosteiro para o novo altar-mor.
Como era norma das igrejas clarissas, a entrada faz-se por uma porta lateral, dando acesso à nave única coberta por abóbada de caixotões.
A capela-mor parece uma réplica, em menores dimensões, do corpo da igreja. Aqui salientam-se os retábulos barrocos de talha dourada. O principal, ao Estilo Nacional, foi pensado para acolher a urna em prata da padroeira e ostenta uma imagem de D. Isabel saída da mão do escultor Teixeira Lopes, oferecida ao mosteiro pela rainha D. Amélia. Os retábulos das capelas laterais, pouco profundas, retratam em baixos relevos cenas da história da vida da Santa Rainha e outros motivos franciscanos. Estes foram criados nos finais do século XVII pelos mestres portuenses António Gomes e Domingos Nunes.
Junto às grades do coro, ao fundo da igreja, aparecem-nos, de ambos os lados, dois túmulos góticos - o da infanta D. Isabel, filha de D. Afonso IV, e o outro destinado à mulher de D. Pedro, duque de Coimbra, mas que veio a ser sepultura de uma sua filha. O coro baixo surpreende-nos pelo magnífico túmulo em pedra da Rainha Santa, uma notável obra monolítica de calcário, executada no segundo quartel de século XIV por mestre Pero. Este é formado por uma grande arca sustentada por seis leões de pedra e com as faces preenchidas por nichos que albergam santas e santos franciscanos. Na tampa, é visível o jacente de D. Isabel, vestida de clarissa e com o bordão e a bolsa de peregrina de Santiago de Compostela.
No coro alto são visíveis algumas alfaias religiosas em prata, onde o destaque vai para o bordão de peregrina. Este, juntamente com dois relicários, uma cruz processional e um colar, hoje no Museu Nacional de Machado de Castro, formam o denominado Tesouro da Rainha Santa. O cadeiral, da primeira metade do século XVII, é composto por 78 cadeiras distribuídas em dois níveis. Têm os espaldares ornados de singelas pinturas de santos franciscanos. Os retábulos das paredes do coro alto são provenientes do antigo mosteiro.
Por fim, o claustro de grandes dimensões mostra grande equilíbrio arquitetónico, obra igualmente atribuível a Carlos Mardel e executada por mestre Gaspar Ferreira - proporcionando um ambiente acolhedor, reforçado pelos tons amenos do calcário de Bordalo, que compensam a sóbria decoração.
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