motociclismo

O motociclismo integra classes de motos muito diferenciadas entre si, que vão desde provas de todo-o-terreno, que decorrem em troços naturais cheio de armadilhas, a outras disputadas em circuitos, onde a velocidade é o fator mais importante. Desde que foi organizada, pela primeira vez, a primeira corrida de motos, este desporto motorizado tem conhecido uma grande evolução, dando origem a diversas especialidades, todas elas muito populares.

A primeira corrida de motos teve lugar em França, em setembro de 1896. Oito concorrentes fizeram uma corrida de ida e volta entre Paris e Nantes, o que perfez um trajeto de 152 quilómetros. M. Chevallier venceu a prova aos comandos de um triciclo Michelin-Dion tendo demorado 4 horas 10 minutos e 37 segundos a cumprir a distância. No ano seguinte, desta feita em Inglaterra, em Surrey, teve lugar a primeira corrida só para veículos de duas rodas, que tiveram de percorrer 1,6 quilómetros.
Logo no início do século XX, o motociclismo tornou-se um desporto popular e juntavam-se grandes multidões para ver diversos tipos de corridas. Face ao sucesso das motos de corrida, em 1903 nasceu a Federação Internacional de Motociclismo.

As corridas TT (Tourist Trophy - Troféu Turismo) existem desde 1907 em Inglaterra e são das mais difíceis, já que têm lugar em ruas normais. No entanto, devido ao perigo adjacente a estas corridas, nomeadamente o piso irregular, as provas TT foram proibidas em Inglaterra, pelo que a Ilha de Man, território autónomo, é o local de eleição para os fanáticos desta classe, que desde 1977 deixou de contar para campeonatos.

Mas, desde então apareceram motos dos mais variados tipos que deram origem a diferentes classes e campeonatos. Destes, o mais conhecido é o Mundial de Velocidade, composto por cerca 15 Grandes Prémios por temporada, que tem lugar desde 1949. No entanto, já antes do Mundial, pelo menos desde 1913, havia Grandes Prémios corridos em pista, embora não formassem um campeonato, sendo apenas provas independentes. Até 1961 as corridas do Mundial decorreram exclusivamente na Europa, pois só nesse ano, com a realização do Grande Prémio da Argentina, é que assumiu um cariz intercontinental. Até aos nossos dias já houve corridas de 50, 80 e 350cc. Durante décadas o Mundial esteve dividido nos escalões de 125, 250 e 500cc, que era a classe rainha da modalidade e onde se juntavam os melhores pilotos, até que esta foi substituída pela classe MotoGP que permite a utilização de motos mais potentes. Grandes nomes como os norte-americanos Kenny Roberts, Eddie Lawson e Wayne Rainey e os australianos Wayne Gardner e Michael Doohan já se inscreveram na lista de campeões de 500cc, comandando motos de marcas como a Yamaha, a Honda e a Suzuki. Na classe MotoGP destaca-se o nome de Valentino Rossi.

Estas corridas, onde as motos passam dos 250 km/hora, são muito equilibradas, com ultrapassagens constantes e bastante emoção e frequentemente são decididas quase em cima da meta. Os corredores são pontuados conforme a classificação que obtêm e no final da temporada ganha quem somar mais pontos.

Ainda entre as provas de pista, há o Mundial de Superbikes, uma invenção dos americanos onde são utilizadas motos com mais de 750cc, parecidas com as de série para evitar uma inflação de custos. O Mundial, que sucedeu ao campeonato americano, existe desde 1988 e tem inscritos no seu palmarés nomes como Freddie Spencer, Eddie Lawson e Wayne Rainey, pilotos que também fizeram carreira nas 500cc do Mundial de Velocidade. O primeiro campeão mundial foi Fred Merkl, em Honda.

As provas de Endurance também são muito importantes no panorama do motociclismo, mas aqui o prestígio ganha-se mais nos próprios Grandes Prémios do que no campeonato. A prova mais famosa, o Bol d'Or, tem lugar em França desde 1922, mas só existe um campeonato da especialidade desde 1980. As provas, corridas em circuitos, são todas de longa duração e permitem a rendição dos pilotos, numa operação que dever ser o mais rápida possível. Há corridas com durações que vão das 8 às 24 horas, sendo um bom exemplo destas últimas o Bol d'Or e a mítica Le Mans.

No que toca a corridas disputadas em pista, há ainda corridas de speedway, uma invenção americana onde as motos correm em circuitos de terra de 400 metros, sempre a virar para a esquerda e em constante derrapagem controlada. Há também uma versão de gelo, muito popular nos países nórdicos, na Rússia e na Polónia.

Mas, fora das pistas há também competições espetaculares e importantes. A mais conhecida é, sem dúvida, o Paris-Dakar. Trata-se de uma corrida de todo-o-terreno que atravessa grande parte do continente africano e tem lugar desde 1979. A travessia de desertos é um dos principais obstáculos deste rali que decorre por etapas, uma por cada dia. Ao todo são percorridas cerca de vinte etapas, com extensões que variam entre os 400 e os 1200 quilómetros, para no total se andar perto dos 15 000 quilómetros. Os pilotos do Dakar precisam ser muito resistentes e saber orientar-se no deserto, onde não há pontos de referência. Para isso, socorrem-se do GPS, sistema de navegação por satélite que lhes indica a posição no terreno. Um piloto português já deixou inscrito o seu nome no historial do Dakar. Paulo Marques, numa KTM, venceu uma etapa do Dakar em 1999. No Dakar, cada concorrente parte sozinho e a classificação ordena-se pela soma dos tempos das etapas.

O motocrosse é outra modalidade muito popular e consiste em provas disputados por todos os pilotos em simultâneo num percurso delimitado no campo, onde há sempre muita lama. Já existe desde os anos 20 do século XX, mas só em 1952 foi criado o Europeu de especialidade e em 1957 o Mundial.

Mais antigo, já em 1910 tinham lugar os Seis Dias da Escócia, mas não tão popular é o trial, onde o objetivo dos pilotos é percorrer determinado percurso com o mínimo de penalizações, atribuídas, por exemplo, a quem pousar um pé no chão, ou sair do caminho delimitado. Refira-se que as provas têm lugar em terrenos cheios de obstáculos como cursos de água, inclinações fortes, pedras enormes, etc. Nestas provas cada concorrente parte sozinho para o terreno.
Por fim, uma referência às competições dragster, um desporto norte-americano com características muito próprias. As provas têm lugar numa reta de 400 metros, onde correm, aos pares, motos super potentes. A cilindrada destas máquinas ronda os 2500cc, têm uma potência de mais de 400cv e atingem velocidades de 300 km/hora em poucos segundos.
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