Mulher na lírica trovadoresca

Nas cantigas de amigo, a mulher, protagonizando situações da vivência popular, rural e doméstica, confidencia à natureza, à mãe ou às amigas o amor ou saudade de um amigo muitas vezes ausente. Na cantiga de amor, a dama é equiparada a um suserano a quem o amante deve um serviço de amor consubstanciado em atitudes de louvor, fidelidade, abnegação, figurando-se como um ser fortemente idealizado e cuja beleza e virtudes são hiperbolizadas a tal ponto que essa postura de subserviência e adoração do trovador é convertida em motivo de ridículo nas cantigas de escárnio e maldizer. No cancioneiro mariano, Cantigas de Santa Maria, o louvor da Virgem recorda, até certo ponto, a idealização da mulher amada exaltada pelos trovadores da poesia cortês, do mesmo modo como, nas cantigas de amor dos três cancioneiros profanos (Cancioneiro da Ajuda, Cancioneiro da Biblioteca Nacional e Cancioneiro da Vaticana) a temática amorosa é investida de uma semantização místico-religiosa.
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