Museologia

A museologia é a ciência que estuda os museus. A palavra que origina o termo "museu" vem do grego Mouseion. Foi criada por Ptolomeu por influência de Aristóteles e de Platão, e tinha como objetivo a divulgação das ciências, do saber, do conhecimento.

Museologia e museografia são muitas vezes confundidas e interpretadas como sendo a mesma coisa, mas a verdade é que não o são, embora se completem. O ICOM (International Council of Museums) define museologia como uma ciência aplicada, a ciência do museu, que estuda a história do museu, o seu papel na sociedade, os sistemas específicos de procura, conservação, educação e de organização. Também tem em conta as relações com o meio físico e a tipologia. A museologia preocupa-se com a teoria ou funcionamento do museu.
Pelo contrário, a museografia estuda os aspetos técnicos, ou seja, a instalação das coleções, o clima, a arquitetura do edifício, os aspetos administrativos. É uma atividade técnica e prática. É importante destacar o grande impulso que recebeu quando em 1977 foi inserida dentro do ICOM, e paralelamente no ICOFOM (International Committee for Museology). A partir desse momento, iniciam-se as planificações desta ciência, acompanhando a evolução do museu.

O museu não deve limitar-se à ideia como foi concebida institucionalmente: continente - edifício / conteúdo - coleção e público. Consequentemente, a museologia deve entender-se como uma ciência global daquilo que é museável, que abarca o Universo e a Sociedade. O objeto da museologia não pode ser só o museu, pois o museu não é um fim mas um meio. A museologia é assim a ciência que examina a relação específica do homem com a realidade e, através destas relações, tem lugar a eleição de tudo o que deve ser preservado no imediato e para o futuro.

Desde sempre que os homens tiveram a preocupação e o cuidado em guardar e preservar os objetos antigos, se bem que com objetivos diferentes dos de atualmente. Em Roma também há notícias de existirem coleções, feitas pelos imperadores. As grandes coleções, muitas delas saqueadas, eram expostas no fórum. Havia um gosto grande pela Grécia Clássica, daí que muitas coleções estivessem relacionadas com este país.

Durante a Idade Média, as grandes coleções centravam-se sobretudo nos locais de peregrinação e de culto. Nessa altura, era importante a exibição de relíquias nas igrejas e nos templos, pois era uma forma de chamar os fiéis. No Renascimento, o mecenato, os ideais do antropocentrismo e do humanismo, os descobrimentos, a alteração das mentalidades contribuíram para que houvesse uma revolução no gosto pelo colecionismo. As coleções passaram a ser mais valorizadas e vistas como uma forma de poder, as coroas europeias utilizavam as peças das suas coleções exóticas para conseguirem alguns favores e trocas com outros países.

Os jardins botânicos, com grande variedade de plantas, apareceram também nesta altura fruto de todas as descobertas. Surgiram também os gabinetes de curiosidades que albergam peças, de modo aleatório, sem qualquer preocupação de inventário ou conservação. Nos finais do século XVII apareceram gabinetes multidisciplinares, com os ideais advogados nesse período: experimentalismo, racionalismo, empirismo. É também nesta altura que surgem as primeiras catalogações e ordenações das peças.

Nos séculos XVIII e XIX, o mundo começava a ser visto de modo diferente, e surgem classificações mais coerentes. Os espaços expositivos continuam a ser escuros e ainda não existe uma preocupação clara em destacar os quadros mas sim em preencher todos os espaços. Em 1753 foi fundado o Museu Britânico, que pretendia expor todas as peças que fossem sinónimo do poder inglês sobre o mundo e sobre as civilizações. A modernidade foi marcada por um grande desenraizamento. Os museus, que eram vistos como um veículo de ideias relacionadas com o progresso, com o "novo", com a burguesia, tentam preservar o que é antigo. Lentamente regressa o gosto pela Idade Média, pelo exotismo, pelo folk e pelo homem primitivo. Mesmo em Portugal começa a surgir um interesse maior sobre estes temas, assistindo-se à recuperação de diferentes aspetos nas várias áreas literárias e culturais. A realização das Grandes Exposições Universais teve um impacto muito grande e foram fundamentais para a divulgação das exposições museológicas.

Não são só os museus que têm uma íntima relação com o desenvolvimento dos diversos ramos das ciências humanas, a museologia em si apresenta mesmo uma acentuada cumplicidade com estas áreas de conhecimento. Cabe salientar que a museologia oferece às outras áreas uma oportunidade especial de aproximação sistemática com a sociedade presente. As sociedades têm, desde sempre, o hábito de eleger, selecionar, reunir e guardar objetos. Isso deixa bem evidente a relevância dos objetos no quotidiano dos homens e o lugar de destaque que ocuparam as coleções, ao longo da História, na tentativa de superar os limites da vida humana.

Se hoje podemos afirmar a importância dos objetos é porque ao lado desta prática, de elaborar um artefato, também existiu e esteve sempre subjacente a ideia da sua preservação. Os museus, de um modo geral, herdaram essa atitude e são responsáveis pela perpetuação dos objetos.

Em Portugal, os museus apareceram muito mais tarde, mas acabaram por sofrer todas as influências dos ingleses. Em 1991 foi criado o Instituto Português de Museus (IPM), que é o organismo público tutelado pelo Ministério da Cultura que tem como objetivo definir e orientar a política museológica nacional em diálogo com os diversos organismos com responsabilidades culturais e patrimoniais. O Instituto Português de Museus, através da Rede Portuguesa de Museus (RPM) procura que os museus possam vir a constituir-se como plataformas de comunicação num sistema aberto de acesso à informação, como meio de aproximação das instituições museológicas ao tecido social.
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