Música em Portugal no Século XX

A música clássica teve ao longo do século vultos de grande importância e que contribuíram para a inovação. Entre eles destacam-se Luís de Freitas Branco, cujas composições inovaram pelo carácter impressionista, Frederico de Freitas, compositor de obras modernistas dos mais variados géneros, Lopes Graça, com obras de grande inspiração na música tradicional portuguesa, Armando Fernandes, Rui Coelho, cuja criação operática se destaca por ser inteiramente portuguesa, Joly Braga Santos, premiado pela UNESCO, Álvaro Cassuto, Filipe Pires, que teve obras também reconhecidas internacionalmente, e Jorge Peixinho, na linha do pós-modernismo.
No início do século XX, as influências internacionais que mais se faziam sentir em Portugal eram a russa, a italiana e a francesa, com destaque para esta última por ser uma das vanguardas. Era para França que os músicos portugueses (como Francisco Lacerda e António de Lima Fragoso, entre muitos outros) iam estudar e trabalhar. Dos intérpretes que mais se notabilizaram, tanto em Portugal como no estrangeiro, fazem parte Guilhermina Suggia (violoncelo), os irmãos António e Francisco de Andrade (barítonos), Maria Augusta Correia da Cruz (soprano) e Viana da Mota (pianista).
No âmbito dos contributos escritos, Bernardo Moreira de Sá publicou obras de musicografia como a História da Evolução Musical e História da Música, Manuel de Almeida Carvalhais o Dicionário Biográfico de Músicos Portugueses e Ernesto Vieira Os Músicos Portugueses. O fado, por ser um género intrinsecamente nacional, foi uma das tipologias musicais que se viram mais promovidas no Portugal do século XX, tendo sido alguns dos seus promotores mais conhecidos o marquês de Castelo Melhor e o conde da Anadia, celebrizando-se intérpretes como "A Albertina", "A Severa" e António "dos Fósforos". Alfredo Marceneiro, Berta Cardoso, Maria Teresa de Noronha, Hermínia, entre outros, são nomes clássicos do fado "clássico" ou "castiço". Modernamente, Amália Rodrigues ficou conhecida como o grande nome do fado. Cantou poemas de autores eruditos como Pedro Homem de Mello, José Régio, Alexandre O'Neill ou José Carlos Ary dos Santos. Outros nomes a referir no fado moderno são Carlos do Carmo, Teresa Tarouca, Maria da Fé, João Braga, entre os mais velhos, ou Camané, Katia Guerreiro, Mariza, Mafalda Arnauth e Cristina Branco, entre os mais novos. De Coimbra, outro fado brotou no século XX, ligado à Universidade e suas tradições académicas, recordando-se aqui nomes como Augusto Hilário, António Menano, Luís Góis e até Zeca Afonso, nome maior da música popular portuguesa, no género de "intervenção", que teve grande impulso nas década de 60 e 70, na reta final da Ditadura em Portugal ou nos alvores da Democracia pós-25 de abril de 1974. Desta "geração" ou "estilo", cumpre recordar Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, Sérgio Godinho, o genial Carlos Paredes na sua guitarra portuguesa, além de António Vitorino d'Almeida, na música erudita mas de feição contestatária ao regime de Salazar, que o atirou para um exílio em Viena d'Áustria. Tozé Brito, José Cid, o Quarteto 1111, António Calvário, Paulo de Carvalho e Carlos Paião, são outros, entre muitos nomes da música pop, que marcaram a transição dos anos 70 para a mais arrojada década de 80. Herman José, Marco Paulo, Roberto Leal e Tony Carreira são cantores de uma faceta mais popular da música popular portuguesa, mas com importante implantação a nível nacional e êxitos de vendas insuperáveis.
De referir ainda que a música popular forneceu inspiração e temas inesgotáveis para o trabalho de músicos e compositores como Lopes Graça, Francisco Lacerda e Joly Braga Santos. Esta vertente nacionalista foi igualmente a de Afonso Lopes Vieira, Viana da Mota, Luís de Freitas Branco e Alexandre Rey Colaço. Michel Giacometti foi um dos grandes recoletores de música popular portuguesa, uma recolha iniciada nos anos 60 e completada na década seguinte, que constitui um dos maiores repertórios da cultura nacional.
Na música moderna portuguesa, os anos 80 registaram o nascimento do rock em Portugal, já que a opressão política do estado Novo restringiu a criação e divulgação deste tipo de sonoridades. Em português ou em inglês, a partir do "Chico Fininho" de Rui Veloso, o panorama da música portuguesa não mais foi o mesmo. Além daquele, GNR, UHF, Lena d'Água, Xutos e Pontapés, Delfins, Pedro Abrunhosa, Madredeus, Jafumega, Heróis do Mar, Mler Ife Dada, Ena Pá 2000, António Variações, Jorge Palma e Trovante são outras das referências da renovação da música portuguesa na parte final do século XX.
Em sonoridades mais sincréticas e assimiladoras de tendências internacionais e dentro de um espírito mais multi-étnico, de World Music portuguesa, surgem nomes como Da Weasel, Mind Da Gap, Dealema, entre tantos outros que pululam nos meios urbanos e suburbanos portugueses, apesar da música regional e folclórica estar ativa e a tentar recuperar ou conservar sonoridades antigas.
De referir ainda que aumentaram as entidades promotoras de espetáculos, das autarquias aos poderes regionais e locais vários, com inúmeros festivais de música um pouco por todo o País. A Fundação Gulbenkian é, a título de exemplo, uma das referências maiores no apoio à música portuguesa. Na criação artística, novos nomes surgem, com maior abertura a correntes estéticas novas, além de cursos universitários e superiores, com docentes estrangeiros e intercâmbios internacionais.
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