Nação do Islã

Os antecedentes deste movimento recuam aos primeiros vinte anos do século XX, com o surgimento de inúmeras seitas e cultos negros tanto em Chicago como Nova Iorque. Em 1913, Thimothy Drew, que mais tarde adotou o nome de Drew Ali, fundou o Templo Americano da Ciência Moura, uma seita baseada em princípios islâmicos que adotou uma versão do Alcorão que exortava os seus seguidores a recuperar a sua herança moura - religião, terra, poder e cultura - que havia sido usurpada pelos brancos. Noble Drew Ali, como era conhecido, foi assassinado em 1929, mas os seus seguidores consideravam-no um profeta e esperavam a sua reencarnação.
Mais ou menos nos finais dos anos 20, um vendedor ambulante dos guetos de Detroit, Wallace D. Fard, assumiu-se como "árabe" e profeta com a missão de conduzir os negros de volta à sua origem africana e islâmica. Segundo Fard, os afro-americanos eram descendentes dos primeiros humanos, cuja versão mais pura poderia ser encontrada entre os muçulmanos de África, Ásia e Médio Oriente. Esses primeiros humanos eram negros possuidores de uma civilização altamente avançada em que cientistas tinham conseguido isolar dois genes humanos: um negro e forte e outro mais claro e fraco. Através da engenharia genética o gene claro e fraco reproduziu-se até formar os atuais brancos, uma "raça" degenerada, adepta do roubo e que assumiu o controlo do mundo e escravizou os negros. Após o desaparecimento misterioso de Fard em 1934, um dos seus seguidores, Elijah Muhammed, assumiu a missão de divulgar as revelações de Fard, organizando de forma eficaz o movimento e angariando adeptos famosos como Malcom X e Muhammed Ali (Cassius Clay). Um escândalo ligado à vida íntima de Elijah Muhammed afastou do movimento Malcom X que foi assinado apenas dois meses depois da sua saída. Quando Elijah morreu em 1975, o seu filho Wallace Deen Muhammed assumiu-se como líder do movimento que, nos anos 70, tinha cerca de 50 mil membros, mas foi contestado por Louis Farrakhan, um fiel seguidor de Elijah que se opunha às reformas de Wallace que defendia uma maior abertura do movimento.
A cisão deu origem a que Wallace Deen mudasse o nome da sua fação para Comunidade Mundial do Islã enquanto que Farrakhan manteve a anterior designação e apoiou a candidatura de Jesse Jackson a presidente da República pelo Partido Democrata. Farrakhan caiu em desgraça não só pelas afirmações xenófobas relativamente à comunidade de judeus, como pela acusação pública do governo americano como o responsável pela disseminação da SIDA nos países da África Central, como tentativa de genocídio, e também pelo aumento do consumo das drogas pesadas nos bairros negros. Depois de um período de afastamento da cena política, Farrakhan voltou a ser notícia quando organizou uma marcha em Washington, em 1995, que mobilizou cerca de 600 mil afro-americanos, sendo atualmente considerado o mais influente líder negro dos anos 90.
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