Nada Brahma

Confirmação de uma poesia de vocação gnosiológica e mística, que parte de uma definição do poeta como "vate,/ Que emerge do fumo de Dioniso,/ Cujo pacto é com a Musa contra Apolo,/ Cujo ofício resolve a questão disputada", "exilado [do céu] pelo dolo contínuo da alma" e de um sentido do poema como "liturgia cantada,/ No ópio da manhã crispada,/ Em que o vento erga a orquídea do Tibete./ & o som do vento é literatura." Combinando no mesmo volume vários géneros - inclui, por exemplo, o texto dramático "Noite de Fumo com Almofadas" - nesta obra de M. S. Lourenço, atenuam-se efeitos de antilirismo obtidos pela conjugação do trivial com o sublime, pela intrusão do absurdo e do insólito, típicos dos seus primeiros volumes, em benefício de uma poesia que, sem recusar aquisições vanguardistas, parece acentuar, sem dor e com naturalidade, a adesão a uma dimensão transcendente da existência.
Como referenciar: Nada Brahma in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-10-22 03:14:39]. Disponível na Internet: