Natal

O sentido social maior da festa do Natal é, sem dúvida, a reunião da família. Num mundo em que as pessoas se dispersam geograficamente cada vez com mais facilidade e em que os dias parecem nunca chegar para o que mais importa, a época do Natal constitui o tempo do regresso a casa, ao seio da família, àquilo que nos é mais íntimo e precioso, à mesa conhecida que se quer abundante e doce, aos vinhos da festa e da alegria, às prendas do carinho pelos que nos são mais queridos. Voltar a casa, voltar à paz de um lar, como quem refaz, ano trás ano, o seu próprio presépio, na esteira da família de Maria e José, surpreendidos, nos caminhos de Belém, pelo nascimento de Jesus de Nazaré.

Ora, a comemoração cristã do Natal tem a sua origem nas várias festividades pagãs que os Romanos celebravam, em euforia, por ocasião do solstício de inverno, lembrando a vitória do Sol sobre a escuridão invernal (natalis invicti Solis), como fonte renovadora de energia e de vida. Com efeito, só no século III a igreja católica, empenhada na conversão dos povos pagãos, passou a identificar esta festa solar com o nascimento de Jesus e determinou a sua celebração nessa data.
Assim, o dia de Natal passou a ser um dia feriado religioso cristão, comemorado anualmente a 25 de dezembro, na ordem do calendário gregoriano (definido, em 1582, pelo Papa Gregório XIII) que vigora na maior parte do mundo, ou a 7 de janeiro, como acontece, por exemplo, nos países eslavos e ortodoxos que obedecem ao calendário juliano (imposto, em 47 a. C., pelo imperador Júlio César).

Mas embora seja tradicionalmente um dia santo cristão, o dia de Natal é amplamente comemorado por muitos não-cristãos, no mesmo espírito de celebração da família e atendo-se aos mesmos costumes e tradições, tais como a troca de presentes e postais de Boas-Festas, a ceia especial da consoada na véspera do grande almoço festivo do dia 25 de dezembro, a decoração do presépio e da árvore de Natal, a proliferação de luzes e músicas natalícias, a adoção da figura do Pai Natal por parte das crianças, etc.

Elementos tradicionais do Natal

O presépio assume uma especial importância no Natal. Ideado por São Francisco de Assis em 1224, em Greccio, numa representação ao vivo da Natividade, foi rapidamente adotado por muitos conventos franciscanos, tendo sido seguidos por outras casas monásticas e pela própria igreja católica, estendendo-se também às casas senhoriais da nobreza. Só no século XIX, no entanto, o presépio conheceu uma difusão exponencial, chegando, desta feita, ao gosto e à prática populares.

No que respeita ao Pai Natal, designado no mundo germano-anglo-saxónico por Santa Claus, pode vislumbrar-se a evocação cristã de São Nicolau, um arcebispo turco que veio a ser considerado padroeiro das crianças e dos marinheiros. Durante o século IV, São Nicolau ficou conhecido pela sua bondade e generosidade, já que ajudava os mais pobres, enfiando sacos de moedas pelas chaminés das suas casas.

Quanto às origens da árvore de Natal, sabe-se que, nas vésperas do solstício de inverno, os povos pagãos da região dos países bálticos cortavam pinheiros, levavam-nos para suas casas e decoravam-nos de forma muito semelhante ao que se faz hoje.

Essa tradição terá passado, em primeira instância, para os povos germânicos, tendo desenvolvido grande popularidade a partir do século XIX. Considera-se que o pinheiro, árvore de folha perene, resistente ao rigor do inverno, simboliza a vida longa e fecunda, e assume-se que a sua forma triangular evoca elevação espiritual.

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