Nave dos Loucos

A alegoria da Nave dos Loucos, plena de simbolismo, que remonta à Idade Média, inscreve-se na crítica à sociedade mercantil orientada para a ganância, com foros de sátira e ironia, ou polémica, que inspirariam muitos criadores. Vícios, gula, luxúria, muitas são as faces negativas da sociedade, desde os religiosos e eclesiásticos até ao povo, aos mercadores, a todos que irracionalmente adoram a barriga ou o prazer.
Este tema foi tratado ao longo da História (a partir do século XV) tanto pela literatura como pelas artes figurativas. A nave, ou barco, à deriva simboliza a efemeridade da vida terrena, assim como a mente das pessoas. Deste modo, os loucos que tripulam a nave (que podem ser tanto foliões, fúteis, pessoas belas e jovens e galantes como melancólicos, desesperados e aberrações) representam as situações e características do Homem que são menos nobres e passíveis de serem criticadas e caricaturadas. Ou seja, é uma observação impiedosa do racionalismo daquilo que se prende com os instintos e pulsões humanas, que não são temperados pela razão. O amor ou os males de amor e as artes mágicas são algumas das razões que provocam a diminuição ou ausência de racionalidade e o consequente ingresso na simbologia tratada no tema da nave dos loucos. Neste tema, aparece ainda uma ilha, que reforça a ideia da busca irracional da completa felicidade e de um mundo diferente e utópico. Alguns dos autores e artistas que trataram este tema foram Jerónimo Bosch (A nave dos loucos, c. 1500), Ludovico Ariosto (Orlando furioso, século XVI), Erasmo de Roterdão (Elogio da loucura, século XVI), Honoré de Balzac (As ilusões perdidas, século XIX) e Artur Rimbaud (O barco ébrio, século XIX).
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