Niceia II


Sétimo concílio ecuménico, reunido em Niceia no ano de 787, convocado pela imperatriz Irene.
Motivado pela crise iconoclasta desencadeada por imperadores como Constantino V (que convocou o concílio bizantino de Hieria - Constantinopla -, onde se proibia a adoração de ícones) e Leão IV, foi inicialmente convocado a 17 de agosto de 786 na igreja dos Santos Apóstolos, em Constantinopla. Acabou por se realizar em Niceia, na igreja de Santa Sofia, uma vez que Bizâncio tinha sido tomada pelos militares revoltados contra a intenção de por fim à iconoclastia. Assim, no dia 24 de setembro iniciou-se o concílio que pretendia restaurar o culto das imagens, que tinha sido proibido no império Oriental. O patriarca Tarásio de Constantinopla presidiu as oito sessões realizadas, tendo o pontífice de Roma enviado como seus representantes um monge do mosteiro grego de São Sabas e Pedro, um arcipreste de Roma, que eram também portadores de cartas onde o papa Adriano expunha a posição doutrinal da Igreja Católica no referente ao culto das imagens. O conteúdo destas cartas foi lido e aprovado na segunda sessão, tendo, no entanto, o patriarca Tarásio afirmado que, apesar de cultuar as imagens santas, apenas Deus seria alvo da sua adoração. Todas as restantes sessões do concílio foram dedicadas à comprovação, por meio de variados escritos como passagens da Bíblia e as cartas sinodais de Teodoro de Jerusalém e de Tarásio de Constantinopla, da legitimidade do culto das imagens. Na sétima e penúltima sessão foi decretada a permissão de representar os santos, os anjos, Nossa Senhora e Jesus Cristo, devendo-se contudo fazer a distinção, como já tinha mencionado o patriarca Tarásio, entre o culto à divindade representada pelas imagens e a veneração a Deus. Foi, contudo, proibida a representação em escultura de alto relevo e vulto perfeito, pelo que predominou até aos dias de hoje a imagem bidimensional nas regiões de influência bizantina.
Os partidários da iconoclastia foram alvo de quatro anátemas lançados da última sessão, celebrada no palácio imperial de Magnaura, onde 300 dignitários episcopais ratificaram os resultados do concílio, na presença da imperatriz (regente) Irene e do seu filho, Constantino VI.
Este concílio foi o último que, sendo ecuménico (por declaração do IV concílio de Constantinopla), foi aceite pela Igreja do Ocidente e pela do Oriente.
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