Nino Vieira

Guerrilheiro, político, general e um dos líderes africanos mais carismáticos, João Bernardo Vieira, vulgarmente apelidado de Nino, nasceu a 27 de abril de 1939, em Bissau. Aos 21 anos, Nino inscreveu-se como militante no Partido Africano para a Indepêndencia da Guiné e Cabo-Verde (PAIGC) fundado em 1956 por Amílcar Cabral, Aristides Pereira e um grupo de companheiros, cujo objetivo primordial era a luta pela libertação do longo domínio colonial português. Para tal, em 1959, em resultado da desilusão obtida com os métodos pacíficos de resistência, o PAIGC encetou a luta armada. Nino abandona, então, a carreira de eletricista iniciada na adolescência e dedica-se à de guerrilheiro e político. Nessa altura, João Bernardo Vieira alista-se, convicto, nas fileiras do Partido, cujas altas instâncias decidem enviar o jovem para a República Popular da China. Neste país recebeu um ano de formação intensiva militar, o que o tornou apto a incorporar a luta, iniciada em 1963, pela independência da Guiné.
Em 1964, era chefe militar na região de Catió (localizada no Sul do país, junto à fronteira com a República da Guiné Conakri). Nino foi eleito membro do bureau político do comité central do PAIGC. Em 1965, ao completar 26 anos de idade, já "Kabi", apelido pelo qual Nino era conhecido nas fileiras da guerrilha, era vice-presidente do Conselho de Guerra e comandante da Frente Sul. No final da década de 60, como delegado do bureau político para a Frente Sul e assumindo o comando militar das operações a nível nacional, Nino Vieira contribuiu grandemente para que as forças coloniais portuguesas fossem perdendo terreno nos domínios instituídos.
A 24 de setembro de 1973, a João Bernardo Vieira, já como presidente da Assembleia Nacional Popular que o PAIGC se encarregara de constituir nas "zonas libertadas", foi dada a honra de ler a proclamação da independência da República da Guiné-Bissau, na zona de Madina do Boé. No entanto, o chefe de Estado eleito foi Luís Cabral, irmão de Amílcar Cabral (entretanto assassinado), em 20 de janeiro de 1973. Nos quatro primeiros anos de existência do novo Estado, que Portugal reconheceu após a revolução de 25 de abril de 1974, Nino foi não só presidente da Assembleia Nacional como também comissário das Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP). De 1977 a 1978, Nino Vieira, responsável pelas tropas guineenses, deslocou-se, com o intuito de receber formação militar especializada, ao Estado-Maior das Forças Armadas Cubanas, após o que ascendeu aos cargos de comissário principal (primeiro-ministro) e presidente do Conselho Nacional do PAIGC.
Apesar do desempenho de tão altos cargos nacionais, a ambição de Nino Vieira funcionou como mola propulsora do "Movimento Reajustador" que, a 14 de novembro de 1980, afastou Luís Cabral da chefia do Estado e o fez presidente do Conselho da Revolução.
General de divisão em 1983 e presidente do Conselho de Estado em 1984, Nino destituiu e mandou deter nesse último ano o primeiro-ministro Victor Saúde Maria, dada a sua inapetência para lidar com qualquer espécie de oposição. Dois anos depois, em 1986, a sua atitude perante a oposição radicalizou-se, o General mandou executar um antigo vice-presidente, Paulo Correia, e mais cinco personalidades consideradas culpadas de uma conjura.
Em 1994, após uma luta de diversas formações políticas guineenses, realizaram-se as primeiras eleições multipartidárias na Guiné-Bissau, tendo João Bernardo Vieira derrotado por uma pequena margem, à segunda volta, o populista Kumba Ialá.
A partir desta data, o Presidente Nino procurou assumir uma atitude mais dialogante para com as forças da oposição, mas deparou com as reticências crescentes dos membros do próprio PAIGC, a começar pelo secretário-geral Manuel Saturnino da Costa, que em 1997 acabou por ser afastado da chefia do Governo, em detrimento de Carlos Correia. Nino tentou, por outro lado, o relançamento da muito debilitada economia nacional, através da criação de incentivos ao investimento estrangeiro na Guiné.
Nos últimos anos, dado o reconhecimento da impossibilidade de sobreviver sem o Ocidente, Nino operou uma imensa viragem no que concerne a política externa da Guiné-Bissau, tendo-se aproximado de países como Israel, Marrocos e Indonésia. Simultaneamente, deixava de reconhecer a República Árabe Saraui Democrática, proclamada pela Frente Polisário. O General, num esforço de aproximação diplomática chegou inclusive, a convidar o presidente da Associação de Amizade Portugal-Indonésia, Manuel Macedo para seu cônsul honorário, em Coimbra, proposta que não se efetivou devido ao silêncio com que Portugal acolheu a proposta. Nino Vieira teve, entretanto, outros representantes de honra em Portugal: Valentim Loureiro no Porto e Fernando Barata em Faro.
Entre junho e agosto de 1998, a guerra civil rebentou na Guiné-Bissau. Um grupo de revoltosos liderados pelo antigo companheiro de guerrilha de Nino - Ansumane Mané - revolta-se contra a ordem instituída por Nino, este por sua vez invoca o auxílio militar do Senegal e da Guiné-Conakri, contra a Junta e por inerência contra a população, o que coloca o país numa catastrófica situação económica, política e social.
No entanto, Nino é destituído do cargo em 1999. Pendendo sobre ele graves acusações, nomeadamente a de corrupção e de abuso do poder, procura exílio no estrangeiro, tendo escolhido Portugal como destino.
De volta ao seu país passados seis anos de exílio, concorre às eleições presidenciais de 2005 e torna-se de novo o presidente da Guiné-Bissau.
Na madrugada de 2 de março de 2009, o Presidente da Guiné-Bissau foi assassinado por militares rebeldes num ataque à sua residência.
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