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Norberto Bobbio
Filósofo italiano, Norberto Bobbio nasceu a 18 de outubro de 1909, na cidade de Turim, Itália. Depois de ter estudado Filosofia do Direito, ensinou esta disciplina em Camerino, de 1935 a 1938, em Siena, de 1938 a 1940, e em Pádua, de 1940 a 1948. Em Camerino conheceu Aldo Capitini e Guido Calogero e começou a frequentar as reuniões do movimento liberal socialista. De Camerino transferiu-se para Siena, onde colaborou com Mario delle Piane, e em 1940, em Pádua, tornou-se amigo de Antonio Giuriolo. Sucessivamente, aderiu em 1942 ao Partido da Ação. Em Pádua, colaborou com a Resistência, ao lado de Giancarlo Tonolo e Silvio Trentin. Ensinou, mais tarde, Filosofia de Direito na Universidade de Turim, de 1948 a 1972, e Filosofia da Política, ainda em Turim, de 1972 a 1979.
A partir de 1979 tornou-se professor emérito da Universidade de Turim. Sócio nacional da Academia de Lincei, foi desde 1966 sócio correspondente da British Academy. Em 1984, Bobbio lançou uma forte polémica com a "democracia do aplauso" no Congresso de Verona. Em 1984, foi nomeado senador a convite do presidente da República de então, Sandro Pertini. Recebeu uma menção de honra pela Universidade de Paris, da Universidade de Buenos Aires, da Universidade de Madrid e da Universidade de Bolonha. Foi diretor da Revista de Filosofia juntamente com Nicola Abbagnano.
Consagrou a sua vida à filosofia política e de direito. Editou, entre outros, Teoria delle scienza giuridica, em 1950, Politica e cultura, em 1955, Teoria delle norma giuridica, em 1958, Quale socialismo?, em 1976, Il futuro delle democrazia, em 1984, L'eta dei diritti, em 1990, e Destra e sinistra, em 1994.
O seu trabalho é vasto e heterogéneo, desde filosofia do direito à ética, da filosofia política à história das ideias, sem esquecer os grandes debates contemporâneos, invariavelmente analisados com lucidez e coerência filosófica. Bobbio admite que a democracia resistiu a todas elas, mas a vitória não é definitiva. Aliás, "numa visão laica (não mítico-religiosa), liberal e realista (não totalizadora e utópica) da História, nada é definitivo". A dúvida de Bobbio é sobre se a democracia se expandirá ou, pelo contrário, caminhará para uma gradual extinção.
Em 1989, ano do desmoronamento do comunismo, ele já alertava para os desafios que permaneciam para a democracia. Num mundo de "espantosas injustiças", diz Bobbio, não se pode pensar que a "esperança de revolução" tenha morrido "só porque a utopia comunista faliu".
A mesma preocupação, de resto, conduziria o filósofo a mais uma das suas polémicas, em 1994, no debate eleitoral italiano: a dicotomia esquerda/direita sobrevivia, apesar de muitos a declararem morta. E sobrevivia numa distinção fundamental: "A diversa postura que os homens organizados em sociedade assumem diante do ideal de igualdade" - tendo a esquerda vocação igualitária e a direita inigualitária.
Bobbio finalizou as suas atividades docentes (a que dedicou 40 anos) em 1979, aos 70 anos. Para ele, "a velhice é indissolúvel do seu sentido de fim". Em relação à História, Bobbio elucida: "Existe uma saída, mas não sabemos onde está. Não havendo ninguém do lado de fora que nos possa indicá-la, devemos procurá-la por nós mesmos. O que o labirinto ensina não é onde está a saída, mas quais são os caminhos que não levam a lugar algum".
Norberto Bobbio morreu aos 94 anos, no dia 9 de janeiro de 2004, na cidade italiana onde nasceu.
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