Nordeste (Açores)

Aspetos Geográficos
Vila e sede de concelho, Nordeste localiza-se na ponta mais oriental da ilha São Miguel, ilha pertencente ao grupo oriental do arquipélago dos Açores. O concelho é limitado a norte e este pelo oceano Atlântico, a sul pelo concelho de Povoação e a oeste por Ribeira Grande, ocupando uma superfície de 101,5 km2, distribuída por nove freguesias: Achada, Achadinha, Algarvia, Lomba da Fazenda, Sto. António de Nordestinho, São Pedro de Nordestinho, Nordeste, Santana e Salga.
Em 2005, o concelho apresentava 5209 habitantes. O clima nesta região é ameno e húmido, com temperaturas médias que oscilam entre os 14 ºC e os 22 ºC, e com uma precipitação regular ao longo do ano, responsável pela fertilidade dos solos e pela existência de alguns recursos hídricos, de que são exemplo as ribeiras do Guilherme ou dos Moinhos, da Água e Despe-te que Suas. O relevo é integrado na ilha de São Miguel, consistindo no Complexo Basáltico do Nordeste e em filões de andesitos. É possível encontrar as seguintes formações geológicas: planalto dos Graminhais (900 m), Espigão dos Bois (807 m), Pico Verde (932 m) e Pico da Vara (1105 m).

História e Monumentos
Nordeste deve o seu nome provavelmente por se situar a nordeste da ilha e estar sujeito a ventos de nordeste, sendo o primeiro local a avistar pelo navegador vindo de oriente.
A ilha de São Miguel foi a primeira ilha a ser descoberta em 1427 por Diogo de Silves. O povoamento iniciou-se em 1444, tendo sido Gonçalo Velho Cabral o primeiro governador da ilha.
A fertilidade dos solos e a localização estratégica nas rotas entre a Europa e a América justificam o acentuado crescimento económico desta região. O cultivo de trigo, cana-de-açúcar, pastel, urzela, vinho e mais tarde de batata-doce, milho, inhame, linho e laranja, sendo esta exportada em grande escala para a Inglaterra, foram a base da economia dos séculos XVI a XVIII.
Em finais do século XIX, os laranjais, que eram então a mais importante fonte de receita da ilha, foram destruídos por uma doença. No entanto, a população dedicou-se a novas culturas, nomeadamente chá, tabaco, espadana, chicória, baterraba sacarina e ananás.
Do património arquitetónico existente no concelho destacam-se as igrejas paroquial (reerguida em 1796), a de São Sebastião, de Nossa Senhora Mãe de Deus e de Nossa Senhora da Nazaré.

Tradições, Lendas e Curiosidades
A atividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo, que são celebradas praticamente em todas as ilhas. Estas festas remontam aos primeiros colonos, que pediam proteção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o cetro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa.
No artesanato, destacam-se as flores de escamas de peixe, de papel, de penas ou de pano, os capachos de folhas de milho e espadana; os trabalhos de vime, os bordados de linho, os bonecos de folhelho de milho com trajes tradicionais, as colchas coloridas tecidas manualmente e os barretes de lã.

Economia
Em Nordeste, um concelho essencialmente dedicado ao setor primário, a agricultura constitui a principal atividade e cerca de 40,8% da área do concelho são dedicados a esta atividade. O cultivo é praticado em pequenas explorações, destacando-se as culturas forrageiras, as culturas permanentes de batata e citrinos, as culturas temporárias de cereais para grão, as hortas familiares, prados, pastagens permanentes e prados temporários.
No que respeita à pecuária, os bovinos, os suínos e as aves constituem as principais espécies de criação de gado.
A região apresenta uma elevada densidade florestal, de 48,1%, que corresponde a uma área de 3305 ha, salientando-se as espécies cedros, zimbros e loureiros como as mais abundantes.
As principais atividades e atrações turísticas que se podem encontrar no concelho e por toda a ilha são o golfe, ténis, prática de vela, windsurf, remo, escaladas, passeios, mergulho, observação e fotografia submarinas e pesca.
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