novela

Na novela predomina o evento, a história linearmente contada, onde se sente uma forte presença do autor como narrador, chegando o leitor a sentir mesmo o "tom" da sua voz.
Antes do Romantismo (século XVIII/XIX), a novelística portuguesa é relativamente pobre, apesar de no século XVI ser até fértil e mesmo bastante variada. Na época, a novela apresentava-se como uma longa sucessão, encadeamento de histórias que se iam alterando ou sucedendo, dando azo à imaginação, ao gosto de aventuras fora de série e, até, à avidez do inesperado.
São, basicamente, três os rumos da novela: a novela sentimental, a novela de cavalaria e a novela pastoril. A novela de cavalaria está bastante bem representada nas letras portuguesas, através de nomes como João de Barros (1496-1570), Francisco de Morais (1500-1572), Jorge Ferreira de Vasconcelos (1515-1585), Fernão Mendes Pinto (1510-1583), entre outros. A linha da novela de cavalaria parece traduzir a nostalgia dos tempos medievais, quase lendários, com todo o idealismo religioso, a ação heroica e a quase frequente presença do tom fantástico (feiticeiros, castelos encantados, etc.); a novela pastoril - cultivada por nomes como Jorge de Montemor (1520/24?-1561), Rodrigues Lobo (1580-1622), Fernão Álvares do Oriente (1540-?), Elói Sotto Mayor (ou Souto Maior), entre outros - retrata, essencialmente, o fino amor dos pastores tradicionais, em que o verso e a prosa se misturam, ficando a ação como que diluída entre episódios soltos, passageiros e trechos líricos; por fim, a novela sentimental, a típica novela do século XVII, cultivada por nomes como Gaspar Pires Rebelo, Gerardo Escobar (pseudónimo do carmelita Frei António de Escobar), entre muitos outros. Esta novela sentimental destaca-se, essencialmente, pelos relatos amorosos de forte intensidade, pelas histórias de enganos e desenganos, pelas lutas e intrigas entre rivais, tudo extremamente "empolado", num estilo extremamente trabalhado. Chegada a época do Romantismo (século XVIII/XIX) aparecem nomes sonantes como Almeida Garrett (1799-1854) e Alexandre Herculano (1810-1877), que tão preciosamente ensaiaram a chamada novela de tema contemporâneo, incluindo as tão abrangentes temáticas sentimentais, passionais e de costumes, conduzindo os enredos conforme o sabor da imaginação dos eventos e das ideias preestabelecidas iam saindo.
Há que ressaltar o grande nome de Camilo Castelo Branco (1825-1890) como o primeiro grande criador da ficção novelística em Portugal, mostrando aos seus leitores uma imaginação fogosa revelada através de inúmeras novelas passionais, tocando, também, o tom satírico e as novelas de costumes.
Já dentro do Naturalismo (século XIX e derivado mesmo do Realismo) aparece o nome de Fialho de Almeida (1857-1911) como o grande novelista e contista da época, demonstrando uma fortíssima imaginação sensorial, descrevendo magnificamente as violências surgidas pelo instinto humano.
Chegados ao século XX, mais concretamente à Geração do Orpheu (iniciada em 1915), ao Modernismo, aparece Almada Negreiros com uma linha de novela com expressão simbólica de inquietante drama interior. Ampliam-se, assim, os horizontes da novelística através da inclusão nos textos das novelas de profundas análises de novos aspetos da vida interior.
Atualmente, é de congratular a grande importância dada ao género novela, revelando-se uma notável diminuição da preocupação da "boa prosa", impeditiva de uma transmissão fiel, exata, do visto ou imaginado, dando-se, assim, preferência à vida real, com todas as suas variabilidades, à denúncia social e aos valores morais da atualidade. Aqui, aparecem nomes como o de Urbano Tavares Rodrigues, um dos mais fecundos novelistas portugueses de finais do século XX.
Seja a novela datada do século XVI ou do século XX, ela aparece sempre sob a forma de romance mais curto, em que o autor expõe os seus sentimentos, mais ou menos ficcionados, através de uma ação rápida e de imediato impacto nos seus leitores.
Com cambiantes notáveis a nível temático, a novela permanece como o género literário que melhor serve a intenção de fluidez de raciocínio e sentimento, enredada por uma ação curta que lhe permite imediatizar a mensagem.
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