Nuno Miranda
Poeta cabo-verdiano, Nuno Alvares Miranda nascido a 23 de outubro de 1924, no Mindelo, S. Vicente, em Cabo Verde, evidencia-se no panorama literário cabo-verdiano através da revista Certeza (1944) - projeto literário social e ideológico de relevo, que este autor depois renegaria, partindo para uma poesia muito própria, escrita e sentida longe de Cabo Verde (em Lisboa).
Na sua poesia pode constatar-se a curiosa existência de duas formas ambientais, dois cenários, dois meios, afastados entre si por diversos pormenores (pessoais e gerais), ligados apenas pela mão de um poeta que, mesmo estando numa grande cidade, sentia e pensava como um insulado, um ilhéu. Assim, como cabo-verdiano que é e nunca conseguiu deixar de ser, o poeta sente o clima físico da ilha e sente-o (em toda a sua envolvência: clima, mar, isolamento) num cenário completamente oposto: Lisboa.
Ao longo de toda a sua poesia pode ver-se espelhado um conjunto de antagonismos existentes e sentidos entre a grande urbe e a ilha onde o poeta nasceu: poemas dedicados ao contraste entre a proximidade (íntima, mesmo) da gente que conversa à porta depois do jantar - hábito tão crioulo, tão cabo-verdiano - com a frieza e a distância do homem citadino; poemas dedicados ao tempo da ilha e ao tempo da cidade, revelando, sentidamente, como o tempo largo, lento, espaçado de Cabo Verde se opõe ao tempo "esvoaçante", quase incontrolável, típico da cidade; a dimensão próxima, doméstica, carinhosa da vida na ilha, que se opõe, em pleno, à sensação de abstração, de fluidez, de indiferença das grandes cidades.
Extremamente angustiado na solidão perante uma realidade absoluta, Nuno Miranda revela que é o cabo-verdiano que respira nos seus versos.
Assim, a poesia de Nuno Miranda, poeta absolutamente deslocado do seu meio natal, afastado, portanto, do verdadeiro pensamento de um homem crioulo, faz contrastar os espaços físicos e o desfasamento entre o ritmo e clima telúricos e o ritmo "mecânico" das cidades continentais.
Deste modo, Nuno Miranda apresenta-se neste cenário literário como a voz de uma poesia que tem em si um compromisso real marcado: um homem, cujo espaço poético não se pode desmarcar de um espaço determinado, concreto e, realmente, delimitado, deve aceitar que o homem cabo-verdiano é um ser insulado, independentemente das características físicas do meio em que vive.
-
Cabo VerdeGeografia País de África. Formado por um arquipélago situado no oceano Atlântico, a cerca de 620 qui...
-
LisboaAspetos geográficos Cidade, capital de Portugal, sede de distrito e de concelho. Localiza-se na Regi...
-
MindeloCidade de Cabo Verde e sede da ilha de São Vicente, Mindelo é, com 47 mil habitantes, a segunda maio...
-
Henrique AbranchesEscritor e antropólogo angolano, Henrique Mário de Carvalho Moutinho Abranches, nascido a 29 de sete
-
Albertino Homem dos Santos Sequeira BragançaEscritor são-tomense, nasceu em 1944, licenciado em Engenharia Eletrotécnica pela Universidade de Co
-
Adriano Botelho de VasconcelosPolítico e escritor angolano, Adriano Botelho de Vasconcelos nasceu em 1958, em Malanje (Angola). Ex
-
Mena AbrantesDramaturgo, poeta, escritor, ator e jornalista angolano, José Manuel Feio Mena Abrantes nasceu a 11
-
Manuela AbreuPoetisa angolana, Maria Manuela de Abreu Maia nasceu em 1939, em Bela Vista (Angola). Em 1975 veio r
-
Antero Alberto Ervedosa de AbreuEscritor angolano nascido em 1927, em Luanda. Após os estudos liceais em Luanda, veio para Coimbra c
-
Aldino MuiangaEscritor e médico moçambicano, Aldino Frederico de Oliveira Muianga nasceu a 1 de maio de 1950, em L