Nuno Pereira
Poeta palaciano português nascido cerca de 1455 e falecido em data desconhecida. Segundo dados que devem ser revistos de Teófilo Braga, este poeta palaciano incluído no Cancioneiro Geral, íntimo, quando jovem, do futuro rei D. João II, era filho de Diogo Nunes Borges e D. Brites Rodrigues; foi nomeado Alcaide-mor de Portel, Vidigueira e Vila do Conde; casou com D. Brites Henriques e em segundas núpcias com D. Guiomar de Coria e Brito.
Estando na origem da questão do "Cuidar e Suspirar", que abre o Cancioneiro Geral, numa tenção que o oporá, na defesa do cuidar, a Jorge da Silveira, defensor do suspirar, sendo juiz Dona Lianor da Silva, que ambos serviam, a sua participação na disputa vai-se tornando cada vez mais exígua ao longo do processo, onde os ajudantes acabam por receber mais protagonismo pela sua ousadia e mordacidade. Além de participar também noutros conjuntos coletivos menos relevantes, dando o mote jocoso ou amoroso, as suas composições individuais opõem a expressão da poética amorosa palaciana à composição de amor anticortês.
Nuno Pereira é simultaneamente o autor da famosa composição, dedicada a sua esposa, "Somos ûa cousa nós, / em ambos ûa soo fim, / eu nam sam em mim sem vós, / nem vós nam estais sem mim.", e de umas trovas enviadas a Lançarote, onde denuncia o oportunismo das damas que se aproveitam dos servidores:
"Deos nam pode jaa co elas / tam maas sam de contentar, / milhor é nam conhecê-las / por tais gastos escusar." Num registo diferente, o tom irónico das trovas enviadas a Francisco da Silveira, explorando a oposição vida da corte / vida do campo, através dos motivos servidão/liberdade, privações/vida mediana, deixam velados contextos partilhados por emissor e destinatário, cujo acesso, para uma compreensão plena da composição, é vedado a quem permanece fora da situação de comunicação: "Lá lograae vossos serãaos, / vossas damas e privanças / cos cortesãaos, / mas bom par de bois nas mãos / val seis pares d'esperanças. / Tambam sei que o sabeis / com outras cousas sabendo, / já m'entendeis, / na resposta nam canseis, / ca tambem já vos entendo." (I, p.281).
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