O Açor e o Príncipe - Lenda dos Três Milagres


Diz a lenda que, em tempos que já lá vão, um rei espanhol, desesperado por não ter filhos, invocou a bênção de Nossa Senhora dos Milagres de Celorico da Beira, famosa por ter salvo um pastor e a sua vaca de morrerem afogados.
Nossa Senhora dos Milagres abençoou-o e o rei teve um filho. Contudo, o filho tornou-se inválido. Foram consultados sábios e físicos, mas nada resolveram.

A rainha decidiu pedir um segundo milagre e, juntamente com o rei e o príncipe, partiram em romagem à Virgem. Já perto do local, no entanto, o pequeno príncipe morreu.

Desesperado, o rei culpou a rainha pela iniciativa da viagem e decidiu enterrar o filho ali mesmo. A rainha não o consentiu e, apoiada na sua fé, quis levar o corpo do principezinho até junto da Virgem dos Milagres. Depôs o filho aos pés da imagem e ali ficou a rezar.

Entretanto o rei, descrente, resolveu ir caçar. Quando lhe disseram que um dos caçadores tinha soltado um dos seus açores reais por achar que as aves tinham sido criadas por Deus para voar e não para estarem presas, condenou-o à morte, ordenando que começassem por lhe cortar a mão que tinha soltado o açor.

Estava já o carrasco com o machado levantado quando o açor veio pousar na mão que ia ser cortada. No mesmo instante, chegou a rainha com o seu filho vivo.

Tendo testemunhado os milagres, o rei libertou o caçador e todos os açores do reino e mandou construir a igreja de Santa Maria dos Açores.




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