O Comércio do Porto

O jornal O Comércio do Porto foi fundado a 2 de junho de 1854, na altura com o nome de O Commercio, por Manuel Carqueja e Henrique de Miranda. Era vendido a 40 réis, três vezes por semana. Sete meses depois, devido ao sucesso alcançado, passou a ser diário e, um ano mais tarde, adotou a designação O Comércio do Porto, nome que manteria até ao seu fecho.
No seu estatuto editorial vinha explícito que pretendia ser uma voz do Norte, capaz de interpretar os anseios da população. Assim, assumiu-se como um jornal de comércio, agricultura e indústria. Com o passar do tempo, passou a ser uma publicação de grande informação, principalmente influente na região norte de Portugal.
O jornal começou por ser publicado em formato tabloide, cerca de metade do tamanho habitual, mas logo em julho de 1856 optou pelo formato maior. Só regressou ao tabloide em 1980. Começou por ser impresso numa tipografia da Rua do Belomonte, mas ainda no ano do lançamento mudou-se para instalações próprias na Rua de São Francisco, onde atualmente fica a Rua Nova da Alfândega. Três anos depois houve nova mudança, desta vez para a Rua da Ferraria de Baixo, atual Rua O Comércio do Porto.
O jornal foi crescendo e, em 1929, foi inaugurado o edifício de O Comércio do Porto na Avenida dos Aliados, uma obra de arte em termos de arquitetura. Este edifício nasceu por iniciativa de Bento Carqueja, diretor e dono do jornal. Aproveitando o novo prédio, Bento Carqueja chegou a formar um museu que albergou obras de arte e documentos pertencentes ao arquivo do diário.
Após a Revolução do 25 de abril de 1974, O Comércio do Porto assumiu-se contra a anarquia e defendeu a ordem e o respeito pelo Estado de direito, o que fez subir as tiragens para cerca de 90 mil exemplares por dia, contra os 30 mil que registava anteriormente.
Em 1985, iniciou a informatização da redação, processo inédito em Portugal. Seis anos mais tarde, abandonou as históricas instalações da Avenida dos Aliados e mudou-se para a Rua Fernandes Tomás, numa fase em que as vendas já tinham descido bastante atirando-o para uma das maiores crises de sempre. De qualquer forma manteve a aposta inicial de incidir em assuntos do Norte, embora prestando também atenção ao que se passava no resto do país e no mundo.
Uma das imagens de marca deste matutino portuense foi o folhetim. Camilo Castelo Branco e Júlio Dantas foram dois dos escritores que publicaram romances em folhetins n'O Comércio do Porto que mais tarde viriam ser editados em livro.
O Comércio do Porto foi um dos primeiros jornais portugueses a ter correspondentes no estrangeiro, ainda no século XIX. Chegou a ter na época correspondentes no Brasil e no Japão.
Depois de em 1892 ter oferecido aos seus leitores exemplares da revista francesa Figaro Ilustre, em 1893 o jornal lançou um número especial chamado o Comércio do Porto ilustrado. Esta publicação foi lançada anualmente pelo Natal até à Segunda Guerra Mundial. Em setembro de 1903, foi criado um mensário de propaganda agrícola chamado O Lavrador, que mais tarde foi transformado em revista. A nível de agricultura foram também editados dezenas de livros.
Tendo mantido a mesma imagem durante décadas, em 2004, depois de uma reformulação interna, O Comércio do Porto saiu para as bancas com uma nova imagem. Por exemplo, o logótipo e o tipo de letra do cabeçalho "Gótico" foram atualizados e os conteúdos reorganizados. O Norte do País continuou a ser a ponto forte de O Comércio do Porto . Aos domingos, saía juntamente com o jornal o suplemento "Motor".
No final de julho de 2005 foi anunciado o fecho do jornal pela administração da empresa, cessando, assim, a publicação ao fim de 151 anos.
Como referenciar: O Comércio do Porto in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-11-15 07:56:03]. Disponível na Internet: