O Primo Basílio

Escrito por Eça em Inglaterra, O Primo Basílio foi publicado em 1878, vindo a conhecer uma edição revista no mesmo ano. Subintitulado "Episódio Doméstico", é uma crónica da média burguesia lisboeta. Através da temática do adultério - que se mostra importante no século XIX, estando presente em autores como Shelley, Byron, Flaubert e Fontane -, foca sobretudo as fatais consequências de uma educação feminina romântica, que constrói uma sensibilidade inflamada, em especial quando em confronto com "[...] um maroto, sem paixão nem a justificação da sua tirania, que o que pretende é a vaidadezinha de uma aventura e o amor grátis" (assim aparece caracterizado Basílio numa carta do próprio Eça a Teófilo Braga).
Luísa, casada com Jorge, um engenheiro de minas, teve uma educação de cunho sentimental e consome os dias rotineiramente. Uma ausência prolongada do marido coincide com a chegada de Basílio, primo e antigo namorado de Luísa, que fez fortuna no Brasil e agora lhe aparece com o encanto da vida sofisticada de Paris. Fragilizada pelo tipo de educação que teve, pela ausência de Jorge e pelo convívio com Leopoldina, uma amiga que compensava um casamento infeliz com uma sucessão de amantes, Luísa cede às tentativas do primo e tem com ele, às escondidas, vários encontros amorosos. Entretanto, a criada Juliana capta algumas cartas trocadas entre os amantes e principia a chantagear Luísa. A relação acaba por romper-se, e Basílio parte para Paris. As exigências de Juliana vão-se avolumando, mesmo após o regresso de Jorge, a ponto de ser Luísa quem faz o trabalho da casa, enquanto a sua saúde se deteriora. Por sua vez, Juliana, que se encontra gravemente doente, morre, o que permite a Sebastião, um amigo da família, recuperar as cartas. Luísa julga-se salva. Um acaso, porém, revela tudo a Jorge, que a confronta com o facto. Luísa adoece e acaba por morrer. No final, vemos Basílio de novo em Lisboa, algum tempo depois, uma vez mais a dar mostras do seu carácter de conquistador sem escrúpulos.
O Primo Basílio retrata com extrema subtileza e realismo os ambientes da Lisboa do tempo, os hábitos e os valores da burguesia. Para tal contribui decisivamente a sua excecional galeria de personagens secundárias, que inclui a criada Juliana, Leopoldina, Sebastião, Julião, Joana, D. Felicidade e o Conselheiro Acácio.
Como referenciar: O Primo Basílio in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-01-16 05:27:11]. Disponível na Internet: