O Senhor dos Anéis (obra)

Obra da autoria do escritor britânico de origem sul-africana J. R. R. Tolkien, composta sob a forma de trilogia, publicada pela primeira vez entre 1954 e 1955, e cuja versão cinematográfica foi rodada em 2001, na Nova Zelândia, ano em que estreou mundialmente o primeiro episódio, A Irmandade do Anel.
Enquanto que a primeira obra de ficção publicada pelo autor, O Hobbit (1937), é tida como literatura infantil de fantasia, sobretudo quando se tem em conta que foi originalmente escrita para os filhos do autor, o épico O Senhor dos Anéis, sua continuação, possui uma profundidade que tem fascinado gerações de leitores em idade adulta, tendo mesmo chegado a ser objeto de estudos sérios nos meios universitários.
O título da obra refere-se a Sauron, a encarnação do Mal na Terra Média, mundo imaginário em que decorre a ação, e que Sauron procura dominar completamente. Para esse efeito, forjou um anel com propriedades extremas, já que garante ao seu portador o poder de conquistar o mundo e de o reduzir a cinzas. Existem três anéis do Bem e nove pertencentes às forças do Mal, e todos eles podem ser controlados por um único anel que, por corromper e seduzir todos aqueles que dele se aproximarem, e por ter a vontade própria de procurar o seu criador - Sauron, o Senhor das Trevas, só poderá ser destruído no local onde foi forjado, ou seja, no Monte da Perdição, nas entranhas de Mordor, o país das sombras habitado pelas forças hostis. A primeira parte da obra, A Irmandade do Anel, descreve o início da viagem que Frodo, um hobbit, ou seja, uma criatura assemelhada aos anões da mitologia, empreende para destruir o anel que herdou do tio, e que é, nada mais, nada menos, que o anel preponderante que Sauron havia criado. Constantemente perseguido pelos acólitos do Mal, Frodo, encontra os valores da amizade, da perseverança e da sensatez, que se contrapõe à tentação do poder e que se revelam indispensáveis à manutenção do Bem.
Em As Duas Torres, segunda parte da epopeia, Frodo e os seus coadjuvantes descobrem a mediação necessária à utilização das forças telúricas da natureza, ao conseguir que a floresta se desenraíze e vá atacar a fortaleza de Saruman, mago exímio mas corrompido pela sede de poder. À traição, arma poderosa e quase sempre inesperada das forças malignas, Frodo acaba por ser envenenado e capturado, e o anel muda de portador.
A batalha decisiva entre o Bem e o Mal é combatida na última parte da trilogia, O Regresso do Rei.
Por diversas razões, O Senhor dos Anéis apresenta níveis diferentes de retórica e de estilo. A intencionalidade do autor teria oscilado entre destinar a obra ora um público mais jovem, ora aos leitores mais literatos.
Não obstante, Tolkien procurou elaborar com cuidado o discurso das suas personagens, recorrendo, muitas das vezes, a estruturas linguísticas apenas identificáveis pelos especialistas.
Como o seu mundo da Terra Média era habitado por diferentes povos, natural seria que falassem línguas diferentes e que, mesmo falando uma língua comum, se expressassem de maneiras diferentes. Para isso, inventou também idiomas, não só falados no seu mundo imaginário como também no seio de associações de fãs das obras do autor. O Élfico, por exemplo, baseado principalmente no Finlandês, ou o Sindarin, inspirado no Galês.
Quando postos em contacto, pode notar-se que os aristocráticos Elfos se expressam de uma forma mais refinada que os grosseiros Trolls ou Orcs, que os alegres Hobbits compõe rimas simples mas bem-humoradas. Aqui, Tolkien fez também uso dos seus conhecimentos linguísticos. A sua incorporação de elementos do antigo Anglo-Saxónico, do Gótico, ou do Norueguês Arcaico nos poemas da obra são demonstrações do interesse não meramente profissional de Tolkien pela Linguística.
Outro aspeto da obra do autor que pode ser depreendido pela escolha dos elementos linguísticos é o da ressonância de tradições que a eles corresponderiam, já que a maior parte da cosmologia presente em O Senhor dos Anéis pode ser encontrada em contos tradicionais e de fadas, em baladas e, nas Sagas, bem como noutras epopeias. Segundo a crítica, Tolkien teria sido indubitavelmente inspirado pelo Beowulf, o poema épico anglo-saxónico, pela saga islandesa Edda, e pela Nibelungenlied original germânica.
A conciliação entre a simplicidade com que a trama, a categorização simbólica das personagens, e a temática da oposição entre o Bem e o Mal, por um lado, e a inesgotável erudição patente em O Senhor dos Anéis, pelo outro, tornou a obra numa referência considerada essencial, e que nada perdeu com a divulgação.
Como referenciar: O Senhor dos Anéis (obra) in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-16 15:06:03]. Disponível na Internet: