O Sistema de Ensino Han
A época dos Han corresponde, na China, ao apogeu do poderio romano no Ocidente europeu.
A dinastia Han (207 a. C. - 220 d. C.), que sucedeu à dinastia Ch'in, foi considerada o primeiro império e o mais criativo da China. Os Han, tentaram restabelecer a integridade dos Ch'in, ao mesmo tempo que criaram uma administração eficaz para manter essa integridade. Isto levou ao florescimento do Império Han dentro de uma cultura inter-regional que recorda a influência do Império Romano.
Foi Liu Pang, um nativo da zona entre os rios Amarelo e Azul que tinha recebido as influências das culturas do Norte, dinastia Ch'in, e do Sul, dinastia Zhou, que assumiu o controlo do império, quando a China estava envolvida em guerras e prestes a cair na anarquia, fundando a dinastia Han e transformando-se no primeiro imperador com o nome de Han Kao-tzu (207-195 a. C.). De origem humilde, possivelmente analfabeto, não possuía quaisquer qualidades guerreiras, sendo um funcionário secundário, que graças às suas boas influências na região de onde era natural lhe possibilitaram resolver determinados problemas com absoluto discernimento e criar um equilíbrio entre o exército, os nobres de sangue e os administradores. Liu Pang foi o administrador dos administradores. Uma vez no trono não procurou imitar as formas aristocráticas, nem esqueceu a sua origem, não perdendo o hábito de se sentar de cócoras e de utilizar um vocabulário impróprio que chocava os cortesãos. Nesta medida, acabou por aceitar os conselhos dos seus conselheiros e ajudantes cultos, mandando redigir um tratado sobre a arte de governar e um cerimonial da corte para os seus seguidores pessoais mais rudes. Assim, surgiram as bases da nova aristocracia, formada pelos seus antigos e fiéis camaradas de armas e, por outro lado, pelo recrutamento intensivo de homens preparados e cultos. Com o tempo, esta aristocracia foi-se transformando numa espécie de nobreza, de classe acomodada e educada segundo os princípios do confucionismo.
O facto de os imperadores Han manterem a estrutura administrativa do império Ch'in possibilitou o renascimento de uma classe erudita. Assim, como necessitavam de uma administração civil, não tardaram a encontrar nos letrados confucionistas excelentes administradores, dando à dinastia Han a possibilidade de governar pacificamente, quase filosoficamente, uma vez que as desordens e o terrorismo da época dos Ch'in e as guerras que permitiram que a dinastia Han se instaurasse ainda estavam muito vivas na memória do povo.
Desta forma, com o imperador Wu-ti, em 130 a. C., iniciou-se um processo de recrutamento de funcionários para a Administração, baseado em perguntas e respostas sobre um dos Cinco Clássicos de Confúcio que constituíram os primeiros passos do ensino do Estado e para o estabelecimento de um sistema regular de exames, a partir de 600 da era de Cristo. Durante a dinastia Han, estes exames só eram realizados quando o imperador achava necessário. Wu-ti recorreu à prática de recrutar funcionários que partilhassem da sua opinião administrativa. Em 124 a. C. fundou-se, assim, a Universidade Imperial, com departamentos separados para cada um dos grandes livros da tradição e história chinesas: o Livro das Transformações (I Ching), o Livro dos Documentos (Shu Ching), o Livro das Odes (Shih Ching), os Anais de primavera e outono (Ch'un Ch'iu), o Livro dos Rituais (Li Chi), o Livro dos Costumes Cerimoniais (Chou Li) e o Livro das Cerimónias (I Li).
A História foi bastante divulgada e estudada na China dos Han, sendo o historiador mais conhecido Ssu-ma Ch'ien (c. 145-90 a. C.). As suas Memórias Históricas (Shih Chi) constituem um marco no pensamento histórico porque incluem considerações sociais e económicas no estudo do passado.
No fundo, através do confucionismo e dos seus letrados, a dinastia Han foi dotada de uma certa legitimidade religiosa, tornando esta ideologia numa espécie de doutrina oficial do Império.
A dinastia Han (207 a. C. - 220 d. C.), que sucedeu à dinastia Ch'in, foi considerada o primeiro império e o mais criativo da China. Os Han, tentaram restabelecer a integridade dos Ch'in, ao mesmo tempo que criaram uma administração eficaz para manter essa integridade. Isto levou ao florescimento do Império Han dentro de uma cultura inter-regional que recorda a influência do Império Romano.
Foi Liu Pang, um nativo da zona entre os rios Amarelo e Azul que tinha recebido as influências das culturas do Norte, dinastia Ch'in, e do Sul, dinastia Zhou, que assumiu o controlo do império, quando a China estava envolvida em guerras e prestes a cair na anarquia, fundando a dinastia Han e transformando-se no primeiro imperador com o nome de Han Kao-tzu (207-195 a. C.). De origem humilde, possivelmente analfabeto, não possuía quaisquer qualidades guerreiras, sendo um funcionário secundário, que graças às suas boas influências na região de onde era natural lhe possibilitaram resolver determinados problemas com absoluto discernimento e criar um equilíbrio entre o exército, os nobres de sangue e os administradores. Liu Pang foi o administrador dos administradores. Uma vez no trono não procurou imitar as formas aristocráticas, nem esqueceu a sua origem, não perdendo o hábito de se sentar de cócoras e de utilizar um vocabulário impróprio que chocava os cortesãos. Nesta medida, acabou por aceitar os conselhos dos seus conselheiros e ajudantes cultos, mandando redigir um tratado sobre a arte de governar e um cerimonial da corte para os seus seguidores pessoais mais rudes. Assim, surgiram as bases da nova aristocracia, formada pelos seus antigos e fiéis camaradas de armas e, por outro lado, pelo recrutamento intensivo de homens preparados e cultos. Com o tempo, esta aristocracia foi-se transformando numa espécie de nobreza, de classe acomodada e educada segundo os princípios do confucionismo.
O facto de os imperadores Han manterem a estrutura administrativa do império Ch'in possibilitou o renascimento de uma classe erudita. Assim, como necessitavam de uma administração civil, não tardaram a encontrar nos letrados confucionistas excelentes administradores, dando à dinastia Han a possibilidade de governar pacificamente, quase filosoficamente, uma vez que as desordens e o terrorismo da época dos Ch'in e as guerras que permitiram que a dinastia Han se instaurasse ainda estavam muito vivas na memória do povo.
Desta forma, com o imperador Wu-ti, em 130 a. C., iniciou-se um processo de recrutamento de funcionários para a Administração, baseado em perguntas e respostas sobre um dos Cinco Clássicos de Confúcio que constituíram os primeiros passos do ensino do Estado e para o estabelecimento de um sistema regular de exames, a partir de 600 da era de Cristo. Durante a dinastia Han, estes exames só eram realizados quando o imperador achava necessário. Wu-ti recorreu à prática de recrutar funcionários que partilhassem da sua opinião administrativa. Em 124 a. C. fundou-se, assim, a Universidade Imperial, com departamentos separados para cada um dos grandes livros da tradição e história chinesas: o Livro das Transformações (I Ching), o Livro dos Documentos (Shu Ching), o Livro das Odes (Shih Ching), os Anais de primavera e outono (Ch'un Ch'iu), o Livro dos Rituais (Li Chi), o Livro dos Costumes Cerimoniais (Chou Li) e o Livro das Cerimónias (I Li).
A História foi bastante divulgada e estudada na China dos Han, sendo o historiador mais conhecido Ssu-ma Ch'ien (c. 145-90 a. C.). As suas Memórias Históricas (Shih Chi) constituem um marco no pensamento histórico porque incluem considerações sociais e económicas no estudo do passado.
No fundo, através do confucionismo e dos seus letrados, a dinastia Han foi dotada de uma certa legitimidade religiosa, tornando esta ideologia numa espécie de doutrina oficial do Império.
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Como referenciar
O Sistema de Ensino Han na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$o-sistema-de-ensino-han [visualizado em 2026-06-10 00:19:23].
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