Odin

Conhecido entre muitos outros nomes como Wotan, Wotanaz ou Woden, Othinn, Bolverk, Grimnir, Hanga e Ygg, era o deus principal da mitologia nórdica e chefe dos Aesir. Tinha também cognomes relativos aos seus atributos, como Sidhöttr ("Chapéu Largo"), e Sidskeggr ("Barba Grande"). No seu nome está presente o ódr ou furor sagrado, que resulta do êxtase do saber profundo.
Filho de Bor e Bestla e irmão de Vili e Ve (com os quais criou o mundo), era casado com Frigg (ou Fjörgyn), sendo os seus filhos Thor, Bragi, Baldeie e Hod. Era também pai de Vali, Hermod ("ardoroso em combate") e Vidar, sendo a mãe a gigante Rindr (ou Grid).
Foi, com Lodurr e Hoenir, um dos criadores do Homem e inicialmente era somente um demónio das tempestades mas no século V, quando os Saxões e os Anglos se fixaram na Grã-Bretanha, era já considerado como o antepassado dos seus reis. Enquanto era demónio das tempestades chefiava o exército dos guerreiros mortos numa louca cavalgada pelos céus nas noites de intempérie.
Mais tarde tornou-se no deus de um só olho da vitória e da bravura, ao qual os guerreiros oravam para que lhes desse o triunfo, que curava entorses e que governava a vida dos seres humanos a partir do Valhalla ou do Gladsheim Valakjalf, os seus palácios. Era também o deus da sabedoria e da morte, ao qual por vezes se ofereciam sacrifícios sangrentos. Foi depois de ter engolido o sangue do sábio Kvasir, nascido da junção da saliva dos Aesir e dos Vanir, que Odin se tornou no deus da poesia. O deus tinha tomado a forma de animal e enganado o gigante que guardava o sangue, Suttungr, tendo então bebido o líquido para o levar para o Asgard.
Era o chefe dos Aesir e do alto do seu trono Hlidskialf, no Gladsheim Valakjalf, via tudo o que se passava no mundo.
Odin era dono do anel Draupnir e da Gungnir, uma lança em ferro feita pelos anões com runas mágicas gravadas e que atingia sempre o alvo. Por vezes emprestava esta lança aos mais valorosos dos guerreiros bestiais que estavam sob sua proteção e cuja força aumentava dez vezes porque combatiam com fúria sagrada. Eram chamados úlfhednar (peles de lobo) ou bersekir (camisas de urso) porque se vestiam com as peles destes animais. Possuía também um cavalo com oito patas chamado Sleipnir (raio), o mais rápido do universo e que podia viajar pelo ar e pelo submundo, assim como um arco que disparava dez flechas de cada vez.
Quando este deus chegava ao campo de batalha, equipado com um elmo de ouro e uma couraça reluzente, todos os seus inimigos ficavam paralisados, cegos e surdos. Dois corvos que sempre o acompanhavam, Munin e Hugin, contavam-lhe tudo o que se passava pelo mundo e o grasnar deles prenunciava os acontecimentos futuros. O nome destes corvos significava memória (Munin) e pensamento (Hugin).
Era também possuidor de dois lobos, Freki e Geri e podia transformar-se em qualquer animal ou monstro.
Foi Odin quem ordenou a incineração dos guerreiros que morriam e de todos os seus pertences para acederem ao Valhalla, para onde as Valquírias levavam os guerreiros mortos em combate escolhidos pelo deus.
Odin estava predestinado a morrer engolido pelo lobo Fenris no dia de Ragnarok; mas, apesar de o saber, decidiu dar um exemplo de valentia e participar na batalha. Pelas suas características de coragem e bravura Odin fazia parte da genealogia de muitos heróis.
Para ser detentor do saber e da juventude Odin fez diversos sacrifícios, entre os quais o de perder um olho para poder beber o hidromel Odredir, que dava a sabedoria, protegido por Mímir e o de se suster da árvore que personificava o Mundo, Yggdrasil, oferecendo-se a si mesmo em sacrifício sacudido pelo vento durante nove dias e nove noites para atingir a juventude. Ao fim deste tempo descobriu as runas e fazendo esforços dolorosíssimos conseguiu apanhá-las, sendo logo libertado da Yggdrasil. Ao descobrir as runas tornou-se o mestre da magia.
Ficou então jovem e mais sábio que qualquer homem, sendo esta última aventura a razão da árvore se passar a chamar Yggdrasil ou "cavalo de Ygg".
Odin aparece na ópera de Richard Wagner, Der Ring des Nibelungen, como uma das personagens que disputa a posse do anel que dá o poder para governar o mundo, feito pelo anão Alberich com ouro roubado do rio Reno.
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