óleos essenciais

Basicamente, os óleos essenciais são compostos de duas frações: os hidrocarbonetos de fórmula geral (C5H8)n e os componentes oxigenados.
Os hidrocarbonetos podem ser ainda subdivididos de acordo com o valor da constante n. Se n=1, tem-se o isopreno (C5H8), também designado por 2-metil-1,3-butadieno; se n=2, temos o grupo dos terpenos (C10H16), que podem ser acíclicos (alifáticos) ou cíclicos; por fim, se n=3, temos os sesquiterpenos (C15H24), os quais também podem ser subdivididos em cíclicos ou acíclicos.
Dos componentes oxigenados fazem parte: álcoois; aldeídos; ésteres; éteres; cetonas e fenóis. Os terpenos e sesquiterpenos possuem duas características fundamentais: têm baixa solubilidade em água e em soluções alcoólicas diluídas e têm propensão para oxidarem rapidamente. Ao serem insaturados tendem a polimerizar (resinificar) e, quando isto ocorre, dá-se uma deterioração no sabor e odor do óleo essencial.
É importante notar que, embora estes hidrocarbonetos não sejam desprovidos de aroma, a grande contribuição para o odor do óleo essencial advém dos compostos oxigenados.
A função dos terpenos e sesquiterpenos nos óleos essenciais é vista de dois modos: ou agem como simples diluentes ou solventes dos derivados oxigenados, ou como estabilizadores ou fixadores dos mesmos.
Existem os chamados óleos sem terpenos e sesquiterpenos, os quais se obtêm por remoção destes hidrocarbonetos por três processos fundamentais: destilação fracionada, extração por solvente e diluição com soluções alcoólicas. As vantagens de se utilizarem óleos sem terpenos nem sesquiterpenos são a de serem mais estáveis relativamente à oxidação e apresentarem boa solubilidade em misturas de álcool/água, o que é bom para certas formulações.
Como desvantagens, tem-se o risco de degradação do óleo pelo calor no processo de remoção, e a perda de componentes importantes que não codestilam.
Este tipo de óleo encontra o seu maior uso na indústria dos refrigerantes.
Finalmente, um óleo essencial é ainda constituído por resíduos não voláteis, alguns deles sesquiterpenos e oxigenados.
No que diz respeito aos aromas naturais, os métodos gerais de produção são: expressão (resulta da prensagem de frutos); destilação; extracção por solventes (a planta é gradualmente saturada com um solvente orgânico, o qual dissolve os seus constituintes incluindo os óleos essenciais, os ácidos gordos e as impurezas); enfloragem(é utilizada para flores: as pétalas das flores são recolhidas e colocadas numa fina camada de um adsorvente gorduroso frio num suporte de vidro) e concentração (resulta da remoção de componentes neutros ou indesejados do óleo base por tratamento químico ou destilação a vácuo).
Os óleos essenciais estão sujeitos a processos de deterioração devido a reações de oxidação, resinificação, polimerização, hidrólise dos ésteres e interações de grupos funcionais.
Estas reações são favorecidas pelo contacto com o ar, a luz, o calor e a presença de metais, água e impurezas.
Para evitar os processos de deterioração devem ser removidas as impurezas metálicas e a água e serem sujeitos a clarificação (alteração de cor), antes de serem armazenados.
Devido à sua volatilidade e sensibilidade aos raios ultravioleta e ao calor, os óleos essenciais devem ser guardados em recipientes de vidro fosco, bem fechados, mantidos num sítio fresco e protegidos da luz. Se o recipiente for deixado aberto, os óleos essenciais oxidam em contacto com o ar e degradam-se rapidamente. Não devem ser usados recipientes de plástico (exceto temporariamente), pois estes absorvem os óleos essenciais. Para armazenamento de grandes quantidades utilizam-se tanques metálicos fortemente estanhados.
Como referenciar: óleos essenciais in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-08-12 19:17:33]. Disponível na Internet: