Omar Khayyam

Poeta, astrónomo e matemático persa, de nome completo Ghiyath al-Dihn Abul al-Fateh Omar ibn Ibrahim al-Khayyam Nishabouri, nasceu a 18 de maio de 1048, em Nishapur, cidade pertencente ao atual Irão, e morreu a 4 de dezembro de 1131, na mesma cidade (alguns registos, no entanto, apontam para os anos de 1044 e 1123 como os do seu nascimento e da sua morte, respetivamente). O seu último nome, Nishabouri, significa "o fazedor de tendas", indicando o ofício a que a sua família – pelo menos o pai – se dedicava.
Embora não se conheçam muitos pormenores biográficos, pensa-se que cresceu na sua cidade natal e que viveu em Samarkanda, tendo viajado muito com o propósito de estudar e trocar conhecimentos com sábios de outras regiões. Estudou com o Sheik Muhamad Mansuri e com o Imã Mowaffak de Nishapur, sendo que no período de estudos com este último foi condiscípulo e se tornou amigo de duas outras personalidades que iriam ter especial relevo no mundo persa: Nizam al-Mulk (Vizir) e Hassan ibn al-Sabbah (chefe da seita dos Hashishin). De mente prolífera, no campo da matemática, desenvolveu, entre outros, um método de classificação das equações cúbicas através da interseção de um círculo numa parábola (que viria a ser desenvolvido por matemáticos em épocas posteriores); calculou o desenvolvimento binomial nas expressões em que o expoente é um número inteiro positivo; estudou, em geometria, os princípios gerais de Euclides; e escreveu Maqalat fi al-Jabr wa al-Muqabila, um livro considerado essencial para o desenvolvimento da álgebra, para além de cerca de 10 outras obras e de 30 monografias.
Como diretor do Observatório de Astronomia de Merve, cargo que lhe foi atribuído pelo sultão seljúcida Málique Xá, entre 1074 e 1079, introduziu reformas no calendário persa Jalali, tendo obtido, como resultado, um calendário notavelmente mais exato que o gregoriano, iniciando, desta forma, uma nova era a 15 de março de 1079.
Apesar da sua influência no desenvolvimento da matemática em geral e da geometria em particular, Omar Khayyam foi também um excelente poeta, sendo que a sua faceta de cientista foi, durante muito tempo e por muitas vezes, oculta pela sua popularidade literária. Foi Edward Fitzgerald quem o tornou mundialmente conhecido ao publicar, em 1839, uma tradução, na língua inglesa, de Rubaiyat, uma coletânea da poesia atribuída a Khayyam. A autoria do Rubayat, nome que significa "quadras", é contestada por alguns estudiosos, visto que o conteúdo, boémio por louvar os prazeres da bebida e do amor, e cético em relação ao porvir, não se enquadra no percurso de Khayyam enquanto estudioso e cientista.
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