oratória romântica

Dada a estreita ligação entre a revolução do Romantismo e a implantação do Liberalismo em Portugal, a oratória romântica portuguesa encontra na eloquência política a sua expressão mais significativa. A liberdade de reunião consignada pela monarquia constitucional e a instituição do sistema parlamentar permitiram o desenvolvimento da oratória política, em que se destacarão, entre outros, Fernandes Tomás, Borges Carneiro, Almeida Garrett, Passos Manuel, Mendes Leal, Rebelo da Silva e, sobretudo, José Estêvão. Com a eloquência parlamentar, desenvolvem-se igualmente o jornalismo político e o panfletarismo, que assumem o mesmo tom grandiloquente e declamatório e servem muitas vezes de plataforma para uma carreira em São Bento ou até no governo.

Os primeiros exercícios de uma oratória propriamente literária ocorrem na Sociedade Escolástico-Filomática, criada em 1839 por Rodrigo da Fonseca, e de que farão parte, entre outros, Almeida Garrett (presidente honorário), Alexandre Herculano (sócio honorário), Silvestre Pinheiro Ferreira (sócio honorário), Tomás de Carvalho, Andrade Ferreira, Latino Coelho, Silva Túlio, Mendes Leal e Rebelo da Silva. Esta sociedade promovia debates e palestras sobre temas científicos, filosóficos e literários, a que o público acorria, e publicava semanalmente o jornal O Cosmorama Literário (1840).

Em certa medida, a influência do estilo tribunício manifesta-se em vários géneros literários, como o dramalhão, alimentado de discursos empolados e grandiloquentes, ou um determinado tipo de poesia declamatória, recorrendo a imagens, hipérboles, exclamações e vocabulário emotivo.
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