Ordem das Mercês ou da Redenção (da Trindade)

A Ordem Real e Militar de Nossa Senhora das Mercês da Redenção dos Cativos ou, mais simplesmente, Ordem de Nossa Senhora das Mercês foi fundada por São Pedro Nolasco a 10 de agosto de 1218, no reino de Aragão, em Espanha.
Quando no início do século XII a maior parte da Península Ibérica estava sob o jugo muçulmano, os naturais sentiam-se escravizados pelos mouros. Perante a situação e um sonho comum, o militar francês de origem fidalga S. Pedro Nolasco, que se dedicava a libertar os cristãos cativos dos mouros, utilizando a sua fortuna, o seu confessor S. Raimundo de Penaforte (um dos mais notáveis teólogos de sua época) e o rei D. Jaime I de Aragão decidiram fundar a Ordem Real e Militar de Nossa Senhora das Mercês da Redenção dos Cativos, movimento de auxílio e libertação dos prisioneiros cristãos humilhados, massacrados e obrigados a converter-se ao islamismo. O rei mandou construir um Convento, S. Raimundo elaborou os estatutos para a fundação da Ordem e S. Pedro Nolasco tornou-se o primeiro Comandante Geral da Milícia. Além dos votos de pobreza, obediência e castidade, os seus membros aceitavam tornar-se escravos, se fosse necessário, para salvar os prisioneiros. Nos primeiros cem anos, mais de onze mil pessoas foram libertadas das mãos dos muçulmanos pelos frades mercedários.

A Ordem de Nossa Senhora das Mercês, após a aprovação do Papa, espalhou-se pela Europa. Quando Cristóvão Colombo descobriu a América, os Mercedários logo aceitaram a tarefa de catequizar o "selvagem americano".
Na cena IX do segundo ato da peça Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, Miranda destaca o facto de o Romeiro não trazer a cruz. A explicação é fornecida pelo próprio Garrett, em nota ao texto: «Os remidos traziam um escapulário branco com a cruz da Ordem das Mercês ou da Redenção, que entre nós se chama da Trindade. São frequentes nos nossos escritores as descrições da solene procissão em que davam como que a sua entrada pública no seio da cristandade, a que eram restituídos os cativos. Com aquele sinal, que a todos inspirava respeito e simpatia, esmolavam depois pelas terras, e muitos ajuntaram quantias avultadas.»
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