Ordem dos Pregadores

A Ordem dos Pregadores, fundada por Domingos de Gusmão em 1216, presente em 103 países, encontra-se dividida em 55 províncias, com cerca de seis mil e quinhentos frades (25 por cento em formação e 10 por cento não padres) e, ainda, três mil e duzentas monjas de vida contemplativa; tem relações com as quarenta e duas mil freiras de várias congregações dedicadas ao trabalho social e com cem mil "leigos dominicanos".
De acordo com frei Carlos Azpiroz Costa, mestre dos dominicanos (nascido em 1956 em Buenos Aires), a Ordem dos Pregadores funciona em democracia desde o século XIII. As decisões mais importantes da ordem são tomadas pelo capítulo geral, que se realiza de três em três anos, mas nunca reúne os mesmos participantes: os provinciais (superiores das províncias) alternam com delegados eleitos propositadamente e com outros frades. Este sistema democrático das decisões e a unidade em volta do compromisso ativo assumido desde o início de que a Ordem "foi instituída especificamente desde o início para a pregação e a salvação das almas" ajudaram a implantar e a espalhar um pouco por todo o mundo a influência dos Pregadores Dominicanos. S. Domingos, o fundador da Ordem, nasceu em Caleruega (Espanha) por volta do ano de 1170. Estudou Teologia em Palência e foi nomeado cónego da Igreja de Osma. Por meio da sua pregação e do exemplo da sua vida, combateu com grande êxito a heresia dos Albigenses (grupo de hereges que pregavam a total separação entre o corpo e o espírito, baseando-se na máxima de que se o espírito já está salvo, não importa o que faz a carne). Domingos já era padre e tomou como principal tarefa da sua vida a conversão desses hereges. Com os companheiros que aderiram a esta empresa, fundou a Ordem dos Pregadores, adotando uma vida de pobreza e de pregação. Morreu em Bolonha no dia 6 de agosto de 1221.
Desta Ordem dos Pregadores merecem também destaque Frei Bartolomeu dos Mártires (1514-1590), que foi arcebispo de Braga e primaz das Espanhas, e Frei João dos Santos (Évora, 1570?- Goa, 1625?), que esteve na Índia como missionário, regressou a Portugal em 1607, voltando a Goa em 1622, onde viria a falecer, e que foi autor, entre outras obras, de Etiópia Oriental e Vária História de Coisas Notáveis do Oriente (Évora, 1609).
Os membros das Ordens religiosas sempre procuraram dar conta das vidas edificantes dos seus confrades: em 1552 saem em Lisboa as "Vidas de alguns Santos da Ordem dos Pregadores"; Frei Luís de Sousa (1623-1678) descreveu, na História de S. Domingos, as vidas dos santos dominicanos.
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