Órganon Para a Decifração da Poesia

Arte poética composta por 770 proposições ou aforismos sobre a práxis literária, divididos em oitenta e seis partes, numa tentativa de definição do que é o ato poético e da essência de ser poeta, que se impõe como inquirição sobre tudo o que a poesia pode ser no seu legado romântico e moderno. Este manual de decifração da poesia assenta sobre alguns pressupostos, o primeiro dos quais a própria impossibilidade de decifração da poesia, como expõe de início ao declarar que "A poesia é indecifrável" (8), que "Toda a decifração (ou a sua tentativa) da poesia é uma impossibilidade" (9) e que "Qualquer órganon para a decifração da poesia quer dizer, precisamente, o oposto, ou seja, que é um órganon para a indecifração da poesia, um órganon para a manutenção do mistério, talvez mesmo para o adensamento desse mistério." (10). Em todo caso, e mau grado a contradição que encerra na sua base, este "órganon" oferece algumas coordenadas para a abordagem da poesia contemporânea e, mais concretamente, do próprio autor, de que se destaca: o privilégio poético dos processos de imaginação e de figuração; a linguagem poética como desvio da linguagem comum; a noção de poesia como "criação misteriosa do espírito", que usa como materiais "O magma verbal, a energia, o delírio pleno, a disciplina interior".
Como referenciar: Órganon Para a Decifração da Poesia in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-02-18 22:07:52]. Disponível na Internet: