Os Dois Renegados

Primeiro drama histórico do Romantismo português, da autoria de Mendes Leal, premiado pelo Conservatório Nacional em 1839. A ação desenrola-se em Lisboa, em 1498, durante o reinado de D. Manuel, e aborda o problema da expulsão dos Judeus. Os dois renegados anunciados no título são, afinal, dois homens perseguidos por terem renunciado à religião dos seus pais. Lopo da Silva é o cristão que, depois de renegar secretamente a sua fé por amor à judia Ester, se arrepende e se apaixona por Isabel, uma dama da corte. Samuel é o judeu que, por amor a Isabel, de quem também é amado, aceita escapar à fogueira da Inquisição mediante a conversão ao cristianismo, ainda que tanto lhe custe a maldição do velho pai, Simeão. No final, Lopo da Silva acaba por ser desmascarado pelo seu rival e condenado por traição.
No prefácio, em que revela o conhecimento da teoria dramática de Vítor Hugo, Mendes Leal teoriza amplamente sobre o drama, que define como "a representação fiel da vida", entendendo que essa representação deve ser feita "de um modo diverso do vulgar, de um modo capaz de produzir impressão no público acostumado às sensações usuais", a fim de que se respeite a separação entre "o mundo ideal" e "o mundo existente". Atribui ao dramaturgo "uma grande e santa missão no mundo": "Deus lhe colocou na mão direita a virtude e na esquerda o vício: cumpre-lhe arremessar uma e outro à multidão".
Como referenciar: Os Dois Renegados in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-22 21:42:37]. Disponível na Internet: