Os Grandes Impérios Coloniais (1451-1559)

O Estado europeu moderno nasceu da decadência da ideologia imperialista - a Republica Christiana Universal e bicéfala - e do feudalismo da designada baixa Idade Média. A França e a Inglaterra, dois países fortalecidos militarmente depois da Guerra dos Cem Anos, e a Espanha unificada pela ação da Reconquista e dos Reis Católicos, são nos finais do século XV como monarquias renovadas, isto é, são conjuntos políticos fortes e coesos, cujo poder é centralizado e apenas limitado por valores morais e religiosos e relativamente à sua ação exterior.
O absolutismo régio de direito exercido na França dos Valois, na Inglaterra dos Tudors e na Espanha dos Habsburgos (ou "Áustrias") transforma o Príncipe num imperador, que governa o seu reino como uma potência no exterior. Mas na Europa nem todos os países eram regidos por idênticas diretrizes políticas. Por exemplo, no Sacro Império Romano-Germânico na Alemanha e na Itália, não se adotam estes modelos governativos, ainda que o primeiro fosse dominado pelos Habsburgos.
O Sacro Império Germânico era composto por um grupo de principados, bispados e cidades livres, presididas por dirigentes, que não dispunham de poder real. Na Itália, a Italianitá não tinha capacidade de unificar a Península Itálica, dividida pelas fortes rivalidades existentes entre os cinco estados mais influentes (as repúblicas de Veneza, Milão, Florença, os Estados Pontifícios e o reino de Nápoles) e as repúblicas mais pequenas, que constituíam alianças ocasionais e se guerreavam e negociavam entre si consoante as conjunturas. É sobre a Itália que se vão concentrar os apetites das grandes monarquias europeias. Milão será o alvo mais apetecido e conhecido. É neste contexto que se ensaia a diplomacia moderna, o local onde foi construída a "Razão de Estado" e um território de desentendimento entre as monarquias nacionais, onde se confrontavam a herança de Anjou de Carlos VIII, as pretensões de Luís XII que envolviam, obviamente, interesses franceses. Os espanhóis e os súbditos de França ficaram sós neste conflito quando Francisco I de França desbaratou os suíços em Marignan.
Em 1524 reúne-se a herança de Aragão, Nápoles e do "Milanês". A partir de então os Habsburgos e os Valois entraram numa luta sem tréguas que arrasou com o sonho da unidade da Cristandade.
A vaga de vitórias do imperador Carlos V não se manteve porque a resposta dos protestantes, a incapacidade de derrotar a França e problemas financeiros vão desgastá-lo. A abdicação do trono e a partilha do império permitiram garantir os interesses de Espanha.
Em 1557, as partes em conflito vão negociar devido às dificuldades do problema religioso levantado pela expansão da Reforma e à bancarrota. Em Chateau-Cambrésis, a França renunciou às suas pretensões relativas ao Milanês, conservando, no entanto, a Borgonha.
Este tratado, que resolveu problemas de ordem territorial, derivou o centro de gravidade política do Oeste, originando um período de cerca de meio século de prosperidade e preponderância espanhola, ao mesmo tempo que consagrou o declínio da Alemanha e da Itália e o crescimento dos estados centralizados. Este tratado marcou uma viragem histórica, a guerra continuou mas revestiu-se de uma capa religiosa. A preponderância espanhola, contudo, assentava sobre bases muito frágeis. No século seguinte seria abatida pela conjugação de esforços dos estados do Noroeste. Nesta primeira metade do século XVI, os grandes impérios eram os de Portugal (mais marítimo) e de Espanha (mais territorial). Este último derrubou para sempre um império quase ameríndio, o dos Tucas, que ocupava quase toda a cordilheira dos Andes, na América do Sul. Outros impérios, como o dos Astecas e Maias, foram também eliminados pelos espanhóis. Na Ásia resistiram o Império Chinês e o dos mongóis da Índia do Norte. Entretanto, a Inglaterra, a França e a Holanda emergiram na Europa como promissores impérios, que se confirmariam no século XVII.
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