Os Huguenotes e as Guerras da Religião em França

A partir de 1550, até ao século XVII, começou-se a designar os protestantes em França por "huguenotes", principalmente os calvinistas que se caracterizavam pela crença em que todo o ser humano estava predestinado e que Deus destinou algumas almas para a salvação e outras para o mal. O termo designava no século XVI os cristãos "reformados" de Genebra, calvinistas. As crenças calvinistas radicam ainda no trabalho ser uma ordem de Deus e o sucesso material um favor por ele concedido, indo de encontro às crenças medievais de que a pobreza é uma virtude e a usura um mal diabólico, contribuindo desta forma para o crescimento do capitalismo.
Assim, surgiu a célebre guerra dos huguenotes, mais conhecidas por Guerras de Religião, travadas em França no século XVI entre os protestantes e os católicos.
Ao todo travaram-se oito guerras, tendo quatro delas (1562-1573) surgido no reinado do rei Carlos IX e as outras quatro (1574-1593) durante os reinados dos reis Henrique III e Henrique IV. A primeira guerra (1562-63) iniciou-se depois de terem perdido a vida alguns protestantes na conhecida "matança de Vassy" (1 de março de 1562) e terminou com o Edicto de Amboise que concedeu algumas liberdades aos protestantes.
Na segunda guerra (1567-68), os católicos venceram em S. Dinis e aceitaram a Paz de Longjumeau (23 de março de 1568), que confirmou o Edicto de Amboise.
A terceira guerra (1568-70) ficou marcada pela derrota dos protestantes em Jarnac e Moncontour e terminou com a Paz de S. Germano (8 de agosto de 1570), que concedeu amnistia aos protestantes, lugares de segurança e o exercício da sua religião em duas cidades por província.
A quarta guerra (1572-73) teve início depois da matança de milhares de protestantes, na "Noite de S. Bartolomeu" (24 de agosto de 1572), na Praça de La Rochelle, que os católicos não conseguiram adquirir para si, e terminou com a Paz de La Rochelle, que restituiu aos protestantes algumas cidades para o exercício do seu culto.
Durante a quinta guerra (1574-76), os protestantes são vencidos em Dornans, tendo terminado pela Paz de Monsieur ou de Beaulieu (6 de maio de 1576), que os favoreceu.
A sexta guerra (1576-77) foi vencida pelos católicos em La Charité e Issoire e terminou com a Paz de Bergerac (17 de setembro de 1577).
A sétima guerra, também conhecida por Guerra dos Amorosos (1580), travou-se entre os fidalgos que conviviam com Henrique de Navarra, que era o chefe dos protestantes, e os católicos. Estes fidalgos foram derrotados após a tomada de Cahors pelos católicos. Esta guerra terminou com a Paz de Fleix (26 de novembro de 1580), que confirmou a de Bergerac.
A oitava guerra (1585-98), também conhecida por Guerra dos Três Henriques (que culminou na Paz do Tratado Vérvins, em 1598), deu a vitória a Henrique de Navarra que, depois de renunciar ao protestantismo a 25 de julho de 1593 e se ter convertido ao catolicismo, foi coroado rei de França (Henrique IV) e publicou o Édito de Nantes (13 de abril de 1598), que assegurava a tolerância religiosa em França. Em 1629, acabaram como movimento político.
Porém, em 1685, na revogação ao Édito de Nantes - por os huguenotes se oporem ao absolutismo régio do Rei-Sol - Luís XIV reiniciou as perseguições, que redundaram na partida ilegal de milhares de protestantes para o exílio em Inglaterra, na Holanda, na América, na Alemanha e África do Sul.

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