Os Idiotas

Sátira cinematográfica realizada em 1998 por Lars Von Trier, Idioterne foi produzido pela Dinamarca, França, Itália, Holanda, Alemanha e Suécia. Os principais atores foram Bodil Jorgensen, Jens Albinus, Louise Hassing, Troels Lyby e Nikolaj Kaas.
Escrito e fotografado também por Lars Von Trier, este é o segundo título do chamado manifesto "Dogma 95" - a seguir a Breaking the Waves (Ondas de Paixão, 1996) -, que previa uma série de pressupostos criativos com vista a reduzir a artificialidade dos filmes. A saber, a utilização de câmara à mão, iluminação natural, som direto e outros preceitos que colocassem a experiência cinematográfica mais próxima do efeito de proximidade das filmagens amadoras, ao mesmo tempo que permitiam um mais firme controlo criativo por parte do autor.
A narrativa centra-se num grupo de excêntricos de Copenhaga que decidem encetar um processo terapêutico assente em comportamentos idiotas e socialmente inaceitáveis. Transformam-se assim numa trupe demente que provoca e desconcerta aqueles que lhe são exteriores. Stoffer (Jens Albinus) usa a casa do tio que era suposto vender como centro das atividades desviantes do grupo, que incluem o distúrbio do ambiente de um restaurante onde captam a atenção de Karen (Bodil Jorgensen), que aprecia os seus métodos e acaba por aderir ao grupo. As atitudes do grupo incomodam várias pessoas em diversos locais, funcionando como provocações anárquicas, e incluem atos de libertinagem como o nudismo público ou uma orgia durante a festa de aniversário de Stoffer. Contudo, quando Stoffer incita os colegas a levarem a "atitude idiota" mais longe, deixando-a invadir as suas vidas quotidianas, apenas Karen aceita. Karen acaba por exorcizar os fantasmas do seu passado através de um encontro com a sua estranha família, onde atua até ao limite enquanto idiota. Noutros casos, porém, os desfechos são diferentes, como com Josephine, que é levada pelo pai que a considera gravemente doente.
Algures entre o estudo sociocomportamental e a criação de uma utopia que poderia ser a libertação do "idiota (ou pobre de espírito) que existe no interior de cada pessoa", como é a tese do demagógico Stoffer, Os Idiotas insere-se no campo do cinema experimental e de intervenção, não conseguindo fugir à polémica que tais ideias geraram. Foi selecionado para a competição no Festival de Cannes.
Como referenciar: Os Idiotas in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-07 02:12:20]. Disponível na Internet: