Os Lobos

"Tragédia rústica em três atos", da autoria de Francisco Lage e João Correia de Oliveira, levada à cena em agosto de 1920, no Teatro Nacional de Almeida Garrett, com um sucesso firmado em 44 representações sucessivas e em reprises, nos dois anos seguintes, em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Viseu. A paz da pacata aldeia de Castro termina com a chegada à serra de Ruivo, um lobo do mar, que aí vem cumprir uma pena de desterro. O poder de sedução que exerce sobre as mulheres vale-lhe a hostilidade dos homens da aldeia que o acusam de ter matado umas cabras, misteriosamente estripadas. Na verdade o crime fora cometido por Gardunho, um louco que fora criado com os lobos. Além da história do trio amoroso Ruivo, Luzia e Águeda, salta para primeiro plano ao longo da peça a recriação exata da fala, usos, crenças e gestos do dia a dia da região rural. Por fim, para vingar a honra da mãe, o filho de Águeda mata Ruivo. Cumpre-se, assim, o sentido desvendado por Rino Lupo, autor da adaptação da peça ao cinema (cf. "Nota dos Editores à 2.a edição"), segundo o qual a peça simboliza a vitória do Portugal de tradição rural sobre o Portugal de tradição marítima.
Como referenciar: Os Lobos in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-08 08:49:57]. Disponível na Internet: