Os Mutantes

Banda brasileira fundada em 1966, em São Paulo, Brasil, por Rita Lee (voz), Sérgio Dias (guitarra e voz) e Arnaldo Batista (baixo, teclas e voz). A história de Os Mutantes começa em 1964 quando Arnaldo Batista integra a banda The Wooden Faces, com o seu irmão. Com o final do grupo, um ano depois, Arnaldo e outro elemento dessa banda, Raphael Villardi, conhecem a cantora Rita Lee e decidem formar com outro dos irmãos de Arnaldo, Sérgio Dias, uma banda chamada Six Sided Rockers. Em 1966, com esse alinhamento mas sob o nome O'Seis, gravam um compacto pelo selo Continental. Com a saída de Villardi do projeto, ainda nesse ano, os O'Seis ficam reduzidos a um trio e são convidados, no mesmo ano, para acompanhar o cantor Ronnie Von no seu programa televisivo na TV Record. É Ronnie que sugere a mudança de nome do trio para Os Mutantes. No dia 15 de outubro de 1966, dá-se a estreia televisiva do grupo, já com esse nome. No ano seguinte, são escolhidos como banda de suporte de Gilberto Gil, no Terceiro Festival da Record, atingindo o segundo lugar do certame, com a canção "Domingo no Parque". O primeiro registo em nome próprio chegaria no ano seguinte, com título homónimo. Com arranjos de Rogério Duprat, o disco era influenciado pelo trabalho dos Beatles, ícone máximo da pop na época, e por algum experimentalismo instrumental. A provar a boa aceitação do disco, o trio seria convidado a atuar, em 1969, no célebre Midem, Mercado Internacional de Discos e Editores Musicais. Também nessa fase, lançam o segundo disco do seu percurso. Ainda no ano de 1969, ficou célebre o espetáculo Planeta dos Mutantes, com o qual o grupo se tornou pioneiro na mistura da música com outras vertentes, exibindo em palco algumas bizarrias.
Os anos seguintes marcariam o afastamento do grupo face ao movimento tropicalista e o acolhimento definitivo da estética rock. O terceiro álbum é um marco dessa reinvenção sonora, consolidando um novo estatuto para Os Mutantes. A mudança não diminuiu a projeção mediática do trio, já que, no âmbito da promoção do disco, o grupo volta a França. No entanto, a Polydor acaba por desistir de promover o álbum além-fronteiras. Contratados pela Rede Globo em 1971, tornam-se uma das atrações residentes do programa televisivo Som Livre Exportação. A experiência não dura muito tempo, uma vez que o formato do programa apontava para o contacto com sambistas e intérpretes de bossa-nova, duas escolas de som que não passavam pelas prioridades de Rita, Arnaldo e Sérgio. Com o baixista Liminha e o baterista Dinho Leme a juntarem-se ao trio, gravam o quarto álbum. Mas seria o álbum seguinte, lançado num período conturbado da História brasileira, no ano de 1972, a trazer a controvérsia política ao grupo. Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets seria alvo da censura do regime militar, obrigando o trio a alterar algumas letras, consideradas subversivas. Em termos musicais, o álbum mostrava uma certa propensão de Os Mutantes para se aproximarem do rock progressivo dos Yes ou dos Emerson, Lake & Palmer. Essa viragem no som do grupo culminaria com a saída da vocalista Rita Lee, a convite dos restantes elementos, por acharem que ela não estava em consonância com o caminho então iniciado. Já depois da saída de Rita Lee, cuja carreira a solo teria uma ascensão meteórica, gravam O A e o Z, álbum claramente progressivo e pautado por composições instrumentais que, desagradando à Phonogram, leva a editora a dispensar os serviços do grupo e a não lançar o disco (seria recuperado alguns anos mais tarde). A fase seguinte é a mais conturbada da história da banda. Arnaldo Batista, bastante debilitado pelo uso contínuo de drogas, acaba por deixar a banda. A ele, segue-se o baixista Dinho. Em 1974, na sequência de algumas discussões com os outros elementos, Liminha também deixa o projeto. Sérgio ficou sozinho e, embora tenha conseguido ultrapassar algumas divisões internas e segurado o conceito com vários alinhamentos de instrumentistas, decide terminar as atividades de Os Mutantes em 1978.
Em 1992, Rita Lee convida os membros do trio original para um dos seus concertos mas as divisões do passado voltam e, no momento da apresentação, apenas Sérgio Dias sobe ao palco com a cantora, apesar dos insistentes pedidos da plateia para a aparição de Arnaldo Batista. No ano seguinte, é Kurt Cobain, líder dos Nirvana e confesso admirador do grupo, a tentar infrutiferamente convencê-los da pertinência de uma reunião. Em 2002, a editora Universal lança Tecnicolor, com material inédito da banda registado em Paris, em 1970. Quatro anos depois, em abril, Sérgio Dias, Arnaldo Batista e Dinho Leme dão início a um novo ciclo de Os Mutantes, com uma breve digressão em Inglaterra e nos Estados Unidos da América. Para os vocais, originalmente gravados por Rita Lee, seria convidada a cantora Zélia Duncan. A primeira aparição do grupo com esse alinhamento, em Londres, seria registada em CD. Em 2007, apresentam-se no Brasil, pela primeira vez em quase trinta anos, no Ribeirão Preto. O concerto levaria 50 mil pessoas ao Museu do Ipiranga.
Discografia
1968, Os Mutantes
1969, Mutantes
1970, A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado
1971, Jardim Elétrico
1972, Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets
1974, Tudo Foi Feito Pelo Sol
1976, Mutantes Ao Vivo
1992, O A e o Z
2000, Tecnicolor
2006, Mutantes Ao Vivo - Barbican Theatre
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