Os Velhos
Comédia, da autoria de D. João da Câmara, representada pela primeira vez no Teatro Nacional, a 14 de março de 1893.
A família Patacas e alguns "velhos" (o prior, o mestre-escola, o barbeiro) discutem sobre os malefícios que a expropriação de terras para a construção da linha férrea irá trazer. A entrada em cena de Júlio, apontador na obra, persuadi-los-á que no "silvo da locomotiva" devem "ouvir o hino do progresso". Caindo a noite, o dono da casa, Manuel Patacas, convida-o a pernoitar. Desde essa noite, a oposição entre a tradição rural e o progresso, entre agricultores e assalariados vindos de outras paragens, parece resolver-se, simbolizada na relação amorosa entre Júlio e Emilinha, a neta de Patacas.
Porém, Júlio é obrigado a partir para trabalhar longe. Passados seis meses, no último ato, durante a comemoração das bodas de ouro de Patacas, Júlio regressa para casar com Emilinha. Saliente-se que, nesta comédia, a intriga tem menos peso que a representação do quotidiano, com notações concretas, banais, conversas do dia a dia. Assim, por exemplo, "o ato final, quase todo decorrido à mesa onde se celebram umas bodas de ouro, é talvez a melhor proeza da peça e do nosso naturalismo cénico, pela animada verosimilhança com que movimenta figuras e réplicas comezinhas" (LOPES, Óscar, cit. in REBELLO, Luiz Francisco, 100 Anos de Teatro Português, Porto, 1984, p. 267).
Para Luiz Francisco Rebello, nesta peça, "o molde realista serviu a João da Câmara [...] para plasmar um teatro de raízes assentes na vida do povo, enquadrando temas de carácter regional ou, mais amplamente, popular." (D. João da Câmara e os Caminhos do Teatro Português, Lisboa, s/d)
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