Óscar Carmona

Marechal, militar oriundo da arma de Cavalaria, António Óscar Fragoso Carmona, oproveniente de família de tradições militares, nasceu a 24 de novembro de 1869, em Lisboa, e faleceu a 18 de abril de 1951, na mesma cidade. Nos primeiros tempos do regime republicano, participou nos trabalhos de reestruturação das instituições militares, após o que continuou uma carreira relativamente apagada até que, em 1925, uma intentona falhada contra o regime terminou em julgamento em tribunal militar. Assumiu aí as funções de acusador, o que lhe deu a oportunidade de apresentar um juízo pessimista sobre a situação política: asseverando que "a pátria está doente", colocou-se inesperadamente ao lado dos conspiradores acusados contra o sistema, atitude que revelou as suas tendências políticas mais íntimas e lhe conferiu pública notoriedade. No ano seguinte, seria uma das figuras de proa da conspiração política e militar que desembocou no golpe de 28 de maio. Começou aqui a sua verdadeira carreira política, que o conduziu à oposição a Gomes da Costa num dos primeiros momentos de clivagem nas fileiras dos novos detentores do poder. Ascendeu, após a queda daquele general, à Presidência da República, na qual foi confirmado pelo processo eleitoral de 1928, em que se apresentou como candidato único. A sua eleição significou, simultaneamente, um passo em frente na consolidação e institucionalização do novo regime. Foi no decorrer do período da Ditadura Militar que o seu poder político se acentuou, na medida em que congregou à sua volta as diversas correntes de opinião no seio das forças militares apoiantes do regime e arbitrou os conflitos patentes ou latentes entre os militares e os dirigentes civis, particularmente no decorrer da ascensão de António de Oliveira Salazar (durante algum tempo, Portugal viveu mesmo sob um "presidencialismo bicéfalo", personificado por Carmona e Salazar). A evolução dos acontecimentos, particularmente a redução do peso político das Forças Armadas e consequentemente da sua capacidade de intervenção junto dos órgãos de decisão, acarretou o declínio da autoridade do próprio Marechal Carmona, que, apesar de continuar a ocupar a Presidência até ao seu falecimento, viu diminuir drasticamente a sua autoridade e influência perante o aumento do poder efetivo do Presidente do Conselho de Ministros, com o qual inclusivamente teve desencontros de opinião em momentos decisivos da evolução do Estado Novo.
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