Ossétia do Sul

A Ossétia do Sul é uma região separatista da Geórgia. Situa-se na zona montanhosa do Cáucaso, onde faz fronteira com a Ossétia do Norte. Tem cerca de 70 000 habitantes, a sua capital é Tskhinvali e o seu presidente é Eduard Kokoity. As moedas usadas são o rublo e o lari e as línguas faladas são o russo, o georgiano e o osseto.
Pensa-se que os ossetas descendem de tribos que migraram da Ásia há centenas de anos e se instalaram na região que é agora a Ossétia do Norte. À medida que o Império Russo se expandiu nos séculos XVIII e XIX, muitos povos do Cáucaso Norte ofereceram resistência feroz: alguns lutaram juntamente com os russos contra vizinhos há muito rivais, enquanto outros fugiram rumo ao Sul, através das montanhas, para escapar. Tradicionalmente, os ossetas mantinham boas relações com os russos (primeiro com o Império Russo, mais tarde com a União Soviética). Por isso, mantiveram-se ao lado do Kremlin quando os bolcheviques ocuparam a Geórgia no início de 1920. A estes acontecimentos seguiu-se uma separação entre os ossetas e criaram-se duas regiões: a Ossétia do Sul, na Geórgia, e a Ossétia do Norte, na Rússia. Nos últimos anos da União Soviética, novos conflitos se adivinhavam. Em finais de 1989, violentos confrontos entre ossetas e georgianos em Tskhinvali levaram à intervenção das forças soviéticas na tentativa de manter a paz. Mas, em 1990, a violência irrompeu novamente quando a Ossétia do Sul anunciou a sua intenção de se separar da Geórgia.
A queda da União Soviética e a consequente independência da Geórgia em 1991 em nada fizeram esmorecer a determinação da Ossétia do Sul em se separar. Atos de violência envolvendo forças georgianas e opositores ossetas continuaram até 1992, altura em que a Rússia, a Geórgia e a Ossétia chegaram a um acordo quanto ao envio de forças de manutenção da paz para o território. A isto seguiu-se um impasse político. Durante a presidência de Shevardnaze na Geórgia, acalmaram-se os ânimos dos separatistas. A Ossétia do Sul, a sua economia e infraestruturas arruinadas e o aumento do crime deixaram de ser notícia e só voltaram a ter destaque na imprensa quando Mikhail Saakashvili assumiu a presidência de Tbilisi, a capital da Geórgia. Este tentou chegar ao diálogo e ofereceu à Ossétia do Sul a possibilidade de autonomia de um único Estado da Geórgia. Mas os separatistas não aceitaram a proposta e, num referendo realizado em novembro de 2006, a esmagadora maioria dos ossetas votou a favor de uma nova declaração de independência de Tbilisi. Um outro referendo, realizado entre os georgianos da região, evidenciava a vontade destes permanecerem em Tbilisi.
Em agosto de 2008, após uma semana de confrontos entre as tropas georgianas e os separatistas ossetas, os conflitos agravaram-se. A Geórgia atacou a Ossétia do Sul por via aérea e por via terrestre, assumindo o controlo de Tskhinvali. A Rússia afirmou que os seus cidadãos foram atacados e, como tal, ripostou enviando milhares de tropas para a Ossétia do Sul e bombardeando alvos georgianos. Em poucos dias, as tropas russas retiraram as tropas georgianas da Ossétia do Sul e da Abecásia e ocuparam algumas regiões da Geórgia. Embora a Rússia tenha feito recuar as suas tropas até Ossétia do Sul e Abecásia, ao abrigo de um cessar-fogo mediado pelo presidente francês Nicholas Sarkozy, manteve o controlo de uma zona neutra nas fronteiras das zonas separatistas. Isto valeu-lhe as acusações da França e dos EUA de incumprimento do acordo. Dias mais tarde, a Rússia reconheceu oficialmente o território separatista da Ossétia do Sul, tendo sido o único país a fazê-lo.
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