Outras Civilizações Pré-Colombianas

Quando os Europeus conquistaram a América encontraram um grande conjunto de indígenas: nas Antilhas contactaram com os Aruaques, na Venezuela e na Guiana com os Caraíbas, no Brasil com os Tupis, no Golfo do México com os Semínoles (Flórida) e a oeste com os Muscóguis e os Publos. Na América Central, a sul do Império Asteca conheceram os Maias, na Cordilheira dos Andes os Chibchas. No Império Inca viviam os Karas, os Quechuas, os Aimarás e os Araucanos.
Todos estes povos não tinham contactos entre si, apresentavam características étnicas e linguísticas diferentes, mas partilhavam pontos em comum como o desconhecimento do cavalo (exceto os Maias), da escrita e das armas de fogo. Os grandes impérios pré-colombianos não eram, como à partida se pode pensar, os únicos focos populacionais bem estruturados. Os Aruaques das Antilhas, por exemplo, dispunham de um sistema muito produtivo - conucos, aplicado à cultura da mandioca.
No conjunto heterogéneo da América pré-colombiana, misturam-se diferentes povos produtores de excecionais testemunhos da criação artística humana que vão desde a arte parietal dos primeiros habitantes do continente, ou da arte dos índios das pampas argentinas ou das selvas amazónicas até às grandes criações dos Maias, Incas e Astecas. Dos cerca de 40 000 anos de história independente dos índios americanos, sem contarmos com a arte dos caçadores primitivos, a arte e a cultura da Mesoamérica de 1500 a. C. até 1500 divide-se em 3 grandes períodos: o pré-clássico, o clássico e o pós-clássico. Na primeira fase destaca-se a arte das aldeias de horticultores e agricultores do vale do México, da cuenca do rio Guayas e na costa do Pacífico, no atual Equador, onde se produziam figurinhas de cerâmica de valor simbólico e religioso, ligadas a ritos de fertilidade. Nas áreas da costa do Golfo do México e o callejón de Huaylas, no Perú, surgiram quase em simultâneo duas civilizações: a Olmeca no México e a Chavín no Perú.
A fase clássica (200 a 900-1000) constitui o momento de maior esplendor artístico e cultural da Mesoamérica, representado pela cultura de Teotihuacan, no centro do México, a cultura Zapoteca no vale de Caxaca e a cultura Maia. O classicismo andino teve o seu grande desenvolvimento nas civilizações Mochica, Nazca e de Tiahuanaco na área do lago Titicaca.
O período pós-clássico corresponde aos últimos 500 anos da história pré-colombiana e representa, apesar da crise ecológica e política em volta do ano 1000, o renascer de formas artísticas e o estabelecimento de novas organizações políticas dominadas pelo militarismo e pela classe dos comerciantes. A civilização Tolteca e Maia-tolteca, na Mesomaérica conduziram ao desenvolvimento político das Astecas, apesar de na área andina, as culturas Wari, Chimú ou Inca culminarem no Império Inca.
Além das sobejamente conhecidas civilizações Asteca, Maia e Inca, estes territórios, como foi referido anteriormente, conheceram outras civilizações não menos importantes mas menos divulgadas como a Olmeca e a de Chavín. Os Olmecas - "habitantes do país da borracha" - estabeleceram-se no México Central e Meridional do final do II milénio até 400 a. C. Este povo legou-nos uma cultura que apresenta um conjunto de características, que mais tarde estariam presentes nas grandes civilizações desta parte do mundo: o conhecimento do calendário, o uso do zero nos cálculos, a utilização da pirâmide como suporte dos templos e a prática de deformações cranianas e mutilações dentárias que reaparecem com os Maias.
Os Olmecas da pré-história ocupavam algumas áreas pertencentes aos atuais estados mexicanos de Vera Cruz e de Tabasco, onde se destacavam os centros cerimoniais de San Lorenzo (1200-900 a. C.) e de La Venta (900-400 a. C.). Outros sítios arqueológicos de grande relevância são: Tres Zapotes, Cerro de las Mesas e Tenochtitlan. Este povo exprimia-se artisticamente através de esculturas de vários formatos, onde se destacam, naturalmente as 14 colossais cabeças olmecas, que têm entre 1,60 a 3 metros e pesam até 10 toneladas. Estas representam de uma forma realista guerreiros, senhores ou antepassados, onde estão sempre presentes os lábios grossos, o nariz largo, os olhos esbugalhados e um capacete sobre a cabeça. Também produziram peças mais pequenas que representam homens, deuses ou o homem-jaguar.
Praticamente na mesma época surgiu outra civilização na região andina, ainda mais duradoura (o seu declínio começou no século III a. C.), designada Civilização de Chavín. A imagem mais característica deste povo e da sua arte é homem-felino, que seria acompanhado por outras figuras como o jaguar, a serpente ou a águia. O centro cerimonial deste povo fica em Chavín de Huantar, no Perú, onde se situava o santuário do deus Huari, provavelmente equivalente a La Venta ou Tres Zapotes. Neste santuário salientam-se o templo Novo ou Pirâmide Maior e o templo de Lanzón.

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