Paço dos Condes de Ourém

De origem lendária é o topónimo da vila de Ourém e a antiga povoação foi crescendo numa elevação da Serra de Aire. Vigiando esta povoação do distrito de Santarém está o seu altivo e esbelto castelo medieval, que foi, igualmente, residência dos Condes de Ourém.
Possivelmente, a sua primitiva fortaleza árabe terá sido ocupada por Fernando Magno de Leão e Castela. No entanto, a sua reconquista não foi definitiva, já que só no século XII é que D. Afonso Henriques a consegue submeter às armas cristãs, vindo a fazer doação de Ourém a sua filha, a Infanta D. Teresa. Esta concede-lhe foral em 1180.
Ourém iria desenvolver-se no século XIV, altura em que D. Pedro I procede à criação do Condado de Ourém, concedendo o título deste a João Afonso Teles de Meneses. Tristemente ligado ao condado está o seu segundo titular, o galego João Fernandes Andeiro, fidalgo ligado à desastrosa regência da rainha D. Leonor Teles, viúva de D. Fernando. O peso da sua influência política era demasiado e ameaçava a causa da independência nacional. Então, em 1383, o Mestre de Avis e futuro D. João I mata o Conde Andeiro, facto que despoletou a revolta nacional contra o partido de D. Beatriz e das pretensões espanholas. Investido já nas funções de monarca, D. João I concede o título de Conde de Ourém a D. Nuno Álvares Pereira. O Condestável conde deixa em testamento os seus bens e títulos a seus netos, filhos dos primeiros duques de Bragança, legando ao primogénito, D. Afonso, o condado de Ourém.
No século XV, com D. Afonso, Ourém e o seu belo castelo ganham importância e grandiosidade, ao promover a renovação do castelo-residência e da sua colegiada. Educado como um "príncipe", D. Afonso tinha tanto de homem culto como de ambicioso e arrogante. Como embaixador de Portugal, D. Afonso privou em diversas cortes europeias e participou em concílios religiosos, tendo ainda visitado a cidade de Jerusalém.
Possuindo fortuna e meios para realizar uma obra magnífica, D. Afonso concretiza em Ourém uma notável obra de arquitetura militar e civil, digna da sua grandeza e desmesurada ambição.
Assim, o castelo medieval foi objeto de profundas remodelações e adaptações para uso civil, quer no seu perímetro amuralhado, quer ainda nas robustas torres que o reforçam. A Torre de D. Mécia, antiga residência da mulher de D. Sancho II, recebeu a adaptação de uma elegante platibanda de arcaturas quatrocentistas, de sabor italianizante.
O pano de muralhas da vila conserva duas portas - a da Vila, com dupla arcaria e bastante deteriorada, e a Porta de Santarém, próxima da Ermida de N. Sra. da Conceição.
Este paço nobre de características militares apresenta janelas ogivais rasgando as muralhas da praça de armas, enquanto no pano exterior foram abertas estreitas frestas de iluminação das divisões internas. A fortaleza senhorial do século XV é agrupada em três módulos. A Torre-Solar, com o seu belo rendilhado em tijoleira, é a de maiores proporções, possuindo porta axial na fachada sul que abre na direção de um túnel abobadado, estabelecendo a ligação com a praça de armas. Dominando a encosta, erguem-se duas torres desiguais e ligadas entre si por elevados panos de muralha. Ao longo da platibanda destas três torres defensivas correm os restaurados "machicoulis" (ou modilhões) misulados e formando arcarias quebradas de tijoleira, provavelmente obra de artistas mudéjares.
Arruinado pelo terramoto de 1755, o Paço-Castelo de Ourém seria barbaramente mutilado durante as invasões francesas do início do século XIX. Abandonado após as fratricidas lutas entre liberais e absolutistas, este seria objeto de remodelação já no presente século, devolvendo-lhe as obras de restauro parte da sua grandiosidade histórica e artística.
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