Pacto de Dover

Com este nome conhece-se o pacto que a 30 de janeiro de 1912 foi assinado no Lord Warden Hotel de Dover, Inglaterra, entre D. Miguel de Bragança, representado por Paiva Couceiro, e D. Manuel II, cujo representante foi D. João de Almeida. Por meio deste tratado, procedia-se à união das vertentes tradicionalista e monárquica para se fortalecerem contra a República, que tinha sido implantada a 5 de outubro de 1910. Tinha havido um encontro prévio na cidade de Bordéus entre os principais representantes de cada fação, já mencionados, e de outros membros relevantes como D. Alexandre de Saldanha da Gama, o dr. Domingos Pinto Coelho e D. Miguel Vaz de Almada (partidário de D. Manuel II) e Francisco Daun e Lorena (miguelista), que serviu de preparação ao Pacto de 1912. Logo nesse ano, quando foi lançado o ataque à cidade de Chaves pelos monárquicos a 8 de junho, as forças dos dois partidos uniram-se. Paiva Couceiro estivera até então intimamente ligado ao projeto de união de esforços das dissidências monárquicas portuguesas, de forma a repor a monarquia em Portugal. Chegou mesmo a comandar incursões de tropas restauracionistas (da Monarquia) a partir da Galiza.
Uma das principais obreiras e entusiastas deste tratado, que previa a ascensão ao trono de D. Duarte Nuno de Bragança quando a monarquia fosse restaurada, foi D. Aldegundes de Bragança, condessa de Bardi e tia de D. Duarte. A condessa foi uma das grandes apoiantes da causa restauracionista, angariando armas, munições, apoios e sustento para os militantes da causa monárquica estacionados na Galiza.
O pacto defendia, na essência, o direito de D. Manuel (II) ao trono português, bem como os seus descendentes legítimos, obrigando D. Miguel de Bragança e seus sucessores a reconhecerem-no. Além disso, previa que em caso de morte de D. Manuel (II) ou ausência de sucessão, ou do príncipe D. Afonso (bem como inexistência de sucessores deste), o trono deveria ser ocupado pelo filho terceiro de D. Miguel, o infante D. Afonso. O Pacto de Dover previa ainda a restituição a D. Miguel de Bragança das suas honras e títulos, desde que o erário público não fosse lesado por tal.
Depois do fracasso militar da segunda incursão em Portugal de monárquicos a partir da Galiza, já com as duas tendências restauracionistas unidas por Dover, este pacto perdeu sentido, voltando as fações a dividir-se: os partidários de D. Miguel no chamado Comité de Paris e os de D. Manuel no de Londres. D. Duarte Nuno de Bragança, em 1932, seria aclamado pelos monárquicos como rei legítimo de Portugal à luz do acordado em Dover em 1912. Na prática, porém, a República seguia o seu rumo.
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