Pai Natal

Figura por excelência do Natal, apresenta uma vincada matriz cristã, não só iconográfica mas também de culto. Tornado símbolo comercial do Natal a partir da década de 30 do século XX, o Pai Natal perdeu a sua conotação religiosa e é hoje o ícone ocidental daquela festividade, com impacto maior junto dos mais novos.

Trata-se de uma figura que evoluiu da lenda hagiográfica da personagem histórico-cristã que foi São Nicolau, bispo de Bari (Itália) que nasceu na Lícia (localidade situada na atual Turquia) por volta de 270. Pelo nome se explica que seja em certos países denominado Santa Claus (de Nicklaus), sendo também conhecido como Papá (ou Papai, no Brasil) Noel (Pai Natal, do francês Pére Noël), entre outras denominações que variam consoante as regiões (Sinterklaas, Sankt Nicklaus...).
Reza a lenda que aquele santo bispo terá gasto a sua herança a ajudar os necessitados (daí que diga a tradição que ele distribui presentes), para além de ter tido um grande carinho pelas crianças. A sua santidade em vida foi tal que chegou a arcebispo de Mira e depois de Bari. A veneração a este santo incrementou-se quando uns comerciantes de Bari retiraram as relíquias do santo de Mira, com o objetivo de as preservar dos ataques dos turcos.

Como a festa litúrgica se celebra a 6 de dezembro, tornou-se costume as crianças (sobretudo as dos países nórdicos) colocarem um sapato na chaminé para que o Pai Natal lhes deixe uma prenda. Isto deve-se a uma tradição que diz que São Nicolau atirou, durante três noites seguidas, sub-repticiamente pela janela do vizinho, um saco com moedas por cada filha que aquele tinha, uma vez que elas não tinham dote para se poderem casar e o mesmo as tinha já destinado à prostituição. O santo de Bari terá também salvado milagrosamente três crianças de se afogarem, pelo que é muitas vezes representado com três crianças nuas dentro de uma selha a seu lado (como na igreja de S. Nicolau do Porto).

Uma outra versão conta que em tempos de paganismo havia o costume de alguém se vestir de inverno, com longas barbas brancas, quando esta Estação começava, e ia pelas casas das pessoas comer os bolinhos e demais pitéus preparados especialmente para que ele se saciasse, não sendo assim o inverno rigoroso. Esta figura era chamada de Velho Pai Natal.

Na Idade Média era costume os criados de cada casa passarem pelas ruas no dia 6 de dezembro e distribuírem pequenas dádivas às crianças, apesar de censurarem as que se tinham portado mal.

Após a Contrarreforma, na segunda metade do século XVI, passou a ser o Menino Jesus, principalmente nas culturas latinas de rito católico romano, a distribuir as dádivas, transferindo-se o dia da celebração do Pai Natal para o dia 25 de dezembro.
 
A figura do Pai Natal, criada pelo imaginário popular, não é no entanto reconhecida pela Igreja Católica, embora seja tolerada. O fato usado por esta personagem variou desde os primeiros tempos, em que tinha uma coroa de azevinho, um carapuço em bico, achatado ou de dormir na cabeça e aparecia vestido de azul, verde, amarelo ou vermelho (remetendo talvez para a condição de bispo).

A imagem que hoje conhecemos foi criada pela marca Coca-Cola na década de 1930, como campanha de Natal. A associação do frio e gelo típicos do inverno, de uma figura bondosa e cheia de simpatia e calor e das inúmeras variações mais ou menos fantásticas da lenda de São Nicolau criou uma imagem extremamente marcante.

Em Portugal, mais precisamente em Guimarães, existe uma tradição curiosa e especial, a das Festas Nicolinas. Estas celebrações em honra de São Nicolau, efetuadas em dezembro pelos estudantes da Colegiada e da Universidade, iniciaram-se entre o século XIV e o século XV, baseadas em raízes populares. Nestas festas os estudantes saíam à rua envergando vestes litúrgicas, dançando e fazendo pequenas representações. O nome de Festas Nicolinas surgiu somente no século XIX.

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