País Rural e Senhorial

O país rural da Idade Média consistia essencialmente em baldios, terrenos com floresta e de pastagem. Nas aldeias vivia uma comunidade estruturada económica e socialmente, onde os mais poderosos (denominados homens bons) imperavam em guildas e suportavam (com contrapartidas) os encargos que os menos abastados não podiam comportar. Como se verifica, o fenómeno da vizinhança, da aglutinação protetora, era primordial neste período.
Neste ambiente imperaram os senhores, que usufruíam dos produtos do trabalho dos aldeãos que viviam nos seus domínios em troca de defesa e mais algumas benesses. Havia contudo revoltas entre os camponeses, uma vez que a justiça nem sempre era exercida equitativamente, sendo estas, grande parte das vezes, reprimidas pela superioridade que as armas outorgavam ao senhor. Paralelamente, existiam aqueles que viviam da transação, do comércio, que não tinham laços com nenhum senhor porque tinham uma vida essencialmente nómada e que por isso eram socialmente desvantajosos para os senhores, podendo desestabilizar os vassalos.
Observando o panorama do que então era Portugal, verifica-se uma maior incidência de famílias pertencentes à nobreza nas zonas territoriais mais populosas. Contudo, estas famílias integravam-se sobretudo na classe nobre de nível inferior e, uma vez que aspiravam à ascensão a um patamar acima daquele que ocupavam, necessitavam de explorar todos os recursos integrantes nas terras de sua propriedade. Assim, teriam os ocupantes destas propriedades de produzir a todo o custo a máxima riqueza possível, dando origem a insurreições que por vezes eram cruelmente abafadas.
No entanto, houve determinadas zonas do país (nomeadamente em Trás-os-Montes) que conseguiram superar um pouco esta dominação senhorial e conquistar alguns direitos que lhes permitiam possuir uma certa independência. Entre estas prerrogativas deve mencionar-se, por exemplo, a de certas comunidades poderem eleger o seu governante direto. Esta situação verificou-se, todavia, por volta do século XIII, tendo sido praticamente anulado pelo avanço das conquistas, ao serem concedidas terras ou domínios senhoriais aos guerreiros pelos bons serviços prestados.
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